
18/01/2022
Há cerca de 65 milhões de anos aconteceu a última extinção em massa e que marcou o fim dos dinossauros. Os cientistas advertem que estamos agora nos estágios iniciais de um desaparecimento semelhante. Só que, diferentemente das outras, esta sexta extinção em massa –ou extinção antropocênica− é causada pelo homem, através de mudanças climáticas, destruição do habitat, poluição e agricultura industrial.
Nas extinções em massa, pelo menos três quartos de todas as espécies desaparecem em cerca de três milhões de anos. Ao nosso ritmo atual, estamos no caminho para que isso aconteça dentro de alguns séculos. Somente nas próximas décadas, pelo menos um milhão de espécies correm risco de desaparecer para sempre, de acordo com uma estimativa de um relatório da ONU publicado em 2019.
Tentar prever o resultado de um colapso completo da biodiversidade é difícil, pois os ecossistemas são incrivelmente complexos. No entanto, os cientistas concordam que as previsões são claras se as extinções continuarem neste ritmo. E todos os efeitos estão ligados uns aos outros.
"A primeira coisa que veremos é que nossas reservas de comida começarão a diminuir bastante porque grande parte de nossos alimentos depende da polinização", disse Corey Bradshaw, professor de ecologia global da Universidade de Flinders, na Austrália, que usa modelos matemáticos para mostrar a interação entre os seres humanos e os ecossistemas.
Cerca de um terço da oferta mundial de alimentos depende de polinizadores como as abelhas. Se elas se extinguirem, o rendimento agrícola pode cair, acrescentou. Por outro lado, pragas agrícolas podem ficar mais fortes à medida que diminuem seus predadores, impactando ainda mais nossas monoculturas.
Milhões de pessoas também dependem de animais selvagens para a alimentação, especialmente da pesca nas regiões costeiras. Mas as reservas pesqueiras estão ameaçadas e, com elas, uma importante fonte de nutrição. Esta falta de segurança alimentar, também associada ao aumento de estiagens e inundações, atingirá mais duramente as regiões mais pobres, particularmente a África Subsaariana e partes do Sudeste Asiático, de acordo com Bradshaw.
Espera-se também que a qualidade do solo se deteriore à medida que certos microrganismos morrerem. Embora sub-representados nos dados, alguns pesquisadores acreditam que os microrganismos possam desaparecer mais rapidamente do que outras espécies. Seu desaparecimento poderia levar a um agravamento da erosão do solo. Isto, por sua vez, levaria a mais inundações, bem como a uma menor fertilidade do solo, o que afetaria o crescimento das plantas.
Colman O´Criodain, da organização de conservação WWF International, considera a morte de microrganismos particularmente perigosa. "De certa forma, a matéria orgânica é como a cola que mantém tudo junto. Se você comparar com um pudim de Natal, tem alguns ingredientes secos como migalhas de pão, farinha e frutas secas, mas são os ovos e o amido que o mantêm unido, tornam o pudim macio e mole, e lhe dão sua forma", explicou O´Criodain.
Grande parte da água doce vem de zonas úmidas, onde a água é purificada e distribuída. Um exemplo é a água do Himalaia, que é alimentada por zonas úmidas e fornece água para cerca de dois bilhões de pessoas. Se estas áreas colapsarem devido ao declínio da vegetação ou pelo florescimento de algas, por exemplo, a humanidade poderá perder muita água para beber e para uso agrícola.
É também provável que o desmatamento altere os padrões de precipitação, já que menos umidade é evaporada devido à perda de árvores. Assim, paisagens inteiras poderiam secar, um processo atualmente observado na Amazônia.
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