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Escócia apresenta plano para zerar emissões até 2045

27/10/2026

A Escócia apresentou uma proposta de estratégia climática para orientar a redução das emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas. O documento reúne ações para áreas como transporte, produção de energia, agricultura e uso da terra, com o objetivo de alcançar a neutralidade de carbono até 2045. Para os defensores, a iniciativa reforça o protagonismo climático do país. Já os críticos, consideram que ainda faltam compromissos mais objetivos e informações sobre como as medidas serão colocadas em prática. Durante a apresentação do plano ao Parlamento Escocês, a secretária de Estado para a Ação Climática, Gillian Martin, lembrou que os efeitos do aquecimento global já são sentidos no território por meio de inundações, ondas de calor e incêndios florestais. “O Parlamento precisa agir”, declarou. Ela também destacou o “enorme potencial inexplorado” da Escócia para ampliar o uso de fontes renováveis de energia.
Com horizonte até 2040, a proposta prevê o fim gradual das vendas de veículos novos a gasolina e diesel até 2030 e a substituição dos sistemas convencionais de aquecimento por alternativas de baixo carbono em residências e edifícios comerciais. Para os imóveis não residenciais, o governo pretende exigir a conexão a redes ampliadas de aquecimento urbano de baixa emissão. Também quer estimular os proprietários a abandonarem caldeiras que utilizam gasóleo e óleo. No setor de transportes, estão previstos incentivos para reduzir o custo dos veículos elétricos e investimentos na infraestrutura necessária para sua utilização. Outra meta é elevar o plantio anual de florestas para 18.000 hectares até 2029-2030.
A recuperação de ecossistemas também integra a estratégia, especialmente diante do desafio representado pela agricultura, atualmente a terceira maior fonte de emissões do país. Embora recomendações anteriores apontassem a necessidade de reduzir o rebanho bovino para cumprir as metas climáticas, o governo decidiu manter os níveis de criação de gado. Uma das medidas para enfrentar esse impasse é ampliar a restauração de turfeiras, ecossistemas que armazenam carbono, mas que, quando degradados, passam a liberá-lo na atmosfera. A intenção é recuperar cerca de 400.000 hectares até 2032, o equivalente a aproximadamente um quinto dessas áreas na Escócia. A iniciativa demandará recursos financeiros e planejamento de longo prazo. O plano também prevê reduzir mais rapidamente as emissões associadas ao fornecimento de combustíveis, expandindo a geração de energia eólica e solar. Nesse processo, Martin defende uma “transição justa”, com apoio aos trabalhadores dos setores de petróleo e gás para que possam acompanhar a mudança em direção às indústrias verdes.
Para financiar as iniciativas, o governo calcula um custo de 4,8 bilhões de libras (aproximadamente 6,3 bilhões de dólares) entre 2026 e 2040. A expectativa, porém, é que os ganhos econômicos e sociais ultrapassem 42 bilhões de libras (aproximadamente 55,3 bilhões de dólares). Entre os benefícios projetados estão a geração de empregos, a diminuição das emissões e a melhoria do conforto térmico nas moradias. A viabilidade e a abrangência das medidas, contudo, são questionadas por representantes políticos. Douglas Lumsden, porta-voz do Partido Conservador Escocês, afirmou que o documento “repete políticas existentes” e não esclarece como serão enfrentados os custos da adoção de veículos elétricos e bombas de calor. A deputada trabalhista Sarah Boyack, por sua vez, defendeu medidas mais consistentes para modernizar as residências e apoiar as autoridades locais na criação de empregos verdes. Patrick Harvie, deputado do Partido Verde, declarou que o governo está “anos atrasado” nas ações climáticas e apontou a falta de clareza sobre a extração de combustíveis fósseis.
As críticas também partem de organizações ambientais. A Amigos da Terra Escócia avalia que a proposta “mal arranharia a superfície” das mudanças necessárias para apoiar as famílias, ampliar o acesso ao transporte público e proteger os trabalhadores durante a transição entre setores econômicos. O histórico do país mostra avanços, mas mesmo as emissões escocesas tendo caído mais de 50% desde 1990, o governo não tem conseguido cumprir as metas anuais e intermediárias estabelecidas. Recentemente, ele passou a adotar orçamentos de carbono organizados em ciclos de cinco anos. A proposta atual está em consulta pública e, encerrada essa etapa, voltará ao Parlamento para aprovação.
A execução das medidas será determinante para que os objetivos anunciados se concretizem. O governo terá de conciliar os custos econômicos da transição, as divergências políticas e a necessidade de responder à crise climática. Martin sustenta que a Escócia reúne recursos para transformar sua matriz energética, mas reconhece que o avanço dependerá de ações coordenadas, participação das comunidades e continuidade dos compromissos no longo prazo.

Fonte: CicloVivo

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