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Verão de extremos: por que Brasil vive picos de chuvas e calor em 2022

08/02/2022

O verão é sempre uma das estações mais aguardadas do ano — uma época reservada para férias, passeios e praia.
Mas até agora o verão desta temporada — que começou oficialmente no dia 21 de dezembro — tem deixado marcas pesadas em diversos lugares do país, de Norte a Sul.
Na última semana, ao menos 34 pessoas morreram por decorrência de chuvas fortes que caíram em São Paulo, sendo 18 delas no município de Franco da Rocha. No começo do verão, no final de dezembro do ano passado, mais de 20 pessoas morreram e quase um milhão ficaram desabrigadas devido a chuvas que atingiram o Sul da Bahia. Algo semelhante se repetiu em Minas Gerais dias depois, onde mais de 20 pessoas morreram e mais de 340 municípios entraram em estado de emergência.
Tanto a Bahia quanto Minas Gerais registraram de 500 a 700 milímetros de chuvas em apenas poucos dias — esse volume normalmente ocorre em uma estação inteira.
Em outros estados, o problema foi o calor extremo. No Rio Grande do Sul, alguns municípios no Oeste registraram temperaturas de até 41,7 graus em janeiro — o maior calor medido na história da região. Em São Luiz Gonzaga (RS), na região das Missões, a temperatura ultrapassou 42 graus — a média do verão no municípios ali de é de máxima de 27 graus.
Ondas de calor e chuvas extremas foram registrados em diversos Estados brasileiros desde dezembro, como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná — e também em países vizinhos como Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia.
Os extremos do verão de 2022 chamam atenção dos meteorologistas, que acompanham de perto as viradas do clima.
"Os verões estão ficando mais irregulares e extremos", disse José Marengo, diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), à BBC News Brasil.
Picos de calor, chuvas fortes e estiagens prolongadas são comuns em diversos verões brasileiros, como já aconteceu, por exemplo, em 2005 e 2015.
Tanto naquelas ocasiões como agora em 2022 os extremos são provocados pelo mesmo fator: a ocorrência do La Niña, um fenômeno atmosférico complexo, em que as temperaturas das águas na superfície do Oceano Pacífico sofrem um resfriamento.
Esse fenômeno tem implicações do clima do planeta inteiro, em efeito cascata. Na América do Sul e no Brasil, o La Niña afeta os corredores de umidade da Amazônia, às vezes chamados de "rios voadores".
A umidade que sai da Amazônia é responsável por chuvas em boa parte do continente e o La Niña antecipa a chegada de chuvas nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste.
Com isso, o corredor de umidade da Amazônia acaba não chegando à região Sul do país. Ou seja — há chuvas demais no Sudeste do Brasil e isso faz com que falte chuva na região Sul, onde o clima fica seco.
Uma das consequências disso é que se forma uma espécie de "bolha seca" na região Sul do Brasil (e também na Argentina e Paraguai), e os corredores de umidade acabam não conseguindo penetrar essa bolha seca. Dentro dessa bolha, o solo vai ficando mais quente, o que colabora para aumentar ainda mais a temperatura. Por isso, muitos municípios estão registrando calor recorde.

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