
08/02/2022
Um programa para a instalação de colmeias de abelhas nativas sem ferrão em parques urbanos acaba de ser lançado pelo governo do Paraná. A ação faz parte do Poliniza Paraná, desenvolvido pela Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo (Sedest), que tem como objetivo espalhar para 398 municípios os Jardins de Mel idealizados pela Prefeitura de Curitiba.
O projeto Jardins de Mel promove a criação de abelhas nativas sem ferrão, responsáveis pela polinização de cerca de 90% das plantas brasileiras. O foco é divulgar a implantação de colmeias como ferramenta de educação ambiental, mostrando a importância e os benefícios dos serviços ecossistêmicos prestados pelos insetos, além de reintroduzir polinizadores nativos em seus locais de origem, pois muitos se encontram ameaçados de extinção.
Além da inspiração no projeto de Curitiba, a ação teve como pontapé inicial uma carta recebida de uma aluna do 3º ano da Escola Municipal Castro Alves, do município de São João. A estudante estava desenvolvendo um projeto e fez um apelo para que a Sedest cuidasse das abelhas.
“A ideia é pegar o que foi implantado na Capital e espalhar para todas as cidades do Paraná, inclusive colocando as crianças para participarem disso, porque elas já crescem com a consciência de cuidado do meio ambiente”, disse o governador Carlos Massa Ratinho Junior.
“A abelha tem uma função muito importante na natureza. Como um peixe não sobrevive num rio poluído, a abelha também não sobrevive num ar poluído, então onde tem abelha, tem saúde, qualidade de vida e do ar. É um termômetro para medir o ambiente que estamos vivendo”, acrescentou o governador.
As primeiras colmeias foram implantadas no Chapéu Pensador, em Curitiba, como um piloto, mas futuramente serão implantadas em todas as áreas do projeto Parques Urbanos, também desenvolvido pela Sedest/IAT.
Até o momento, são 17 municípios com convênios de Parques Urbanos e Poliniza assinados. Entre eles estão Santa Cruz do Monte Castelo, Quatiguá, Andirá, Cornélio Procópio, Querência do Norte, Marquinho, Santo Antônio do Sudoeste, Assaí, Moreira Sales, Flor da Serra do Sul, Cambará, Santo Antônio da Platina, Sapopema, Santa Cecília do Pavão, Califórnia, Cianorte e Arapongas.
Cada município deverá pensar em um espaço para receber o Poliniza Paraná, segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável e Turismo, Márcio Nunes.
A equipe técnica da Sedest e Prefeitura de Curitiba vão promover, em parceria, capacitações aos municípios que receberão o Poliniza Paraná. O objetivo é ensinar a fazer a manutenção das casinhas das abelhas e como trabalhar a educação ambiental com os insetos.
A reintrodução de abelhas nativas nos espaços é importante porque a polinização é o processo que garante a produção de frutos e sementes, além da reprodução de diversas plantas. Por isso, as abelhas se destacam na manutenção e promoção da biodiversidade.
Além disso, as abelhas auxiliam na produção de cerca de 90% dos alimentos no mundo e são de extrema importância para agricultura mundial, pois são responsáveis por polinizar cerca de 70% das plantas agrícolas.
Das 420 espécies de abelhas sem ferrão do mundo, 300 vivem no Brasil, e aproximadamente 38 no Paraná. Cerca de 100 espécies de meliponíneos que ocorrem no Brasil se encontram em risco de extinção, e isso se deve ao desmatamento, à poluição e às mudanças climáticas.
O Poliniza Paraná também é um dos meios de se alcançar as metas definidas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU).
O projeto terá investimento inicial de cerca de R$ 7 mil, com recursos da Sedest, para a instalação das caixas, placas e colmeia. Pela cooperação, a prefeitura ficará responsável pela manutenção, por meio de limpeza e conservação das caixas.
Entre as espécies disponibilizadas no projeto para o Chapéu do Pensador, por exemplo, estão a Guaraipo, que está na lista de espécies ameaçadas de extinção; Jataí; Mandaçaia; Mirim e Manduri. O mel produzido pelas abelhas não será comercializado.
Fonte: Ciclo Vivo
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