
07/03/2023
O céu é o limite quando se trata de levar água à casa dos fluminenses. Com técnicas de rapel ou equipamentos de escalada, cavando na mão se for preciso, subindo escadas de mais de cem degraus com maquinário nas costas e trabalhando em becos e vielas nos quais mal passa uma pessoa, a Águas do Rio não mede esforços para garantir um bom banho de chuveiro a quem nunca teve água encanada em casa. Graças ao programa Vem com a Gente, somente no último ano 250 mil moradores do Estado do Rio puderam dispensar baldes, canecas e latões e usufruir de um serviço regular de abastecimento. E, com ele, mais saúde, dignidade e qualidade de vida. Um case de sucesso compartilhado com o mundo: a história (e as histórias) do VCG foram destaque na Comunidade Global de Tecnologia Sustentável e Inovação (G-Stic), uma das mais importantes conferências de sustentabilidade do planeta.
— A G-Stic é considerada um dos maiores eventos científicos globais voltados à inovação e a tecnologias sustentáveis. Entre os vários temas, destaca-se a necessidade de ampliarmos o uso de tecnologias para reduzir as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade e o acesso de todos aos serviços de saneamento básico. Hoje, no mundo, são mais de dois bilhões de pessoas que não contam com serviços de esgotamento sanitário e quase um bilhão que não têm água potável para beber — explica o presidente do Instituto Aegea, Edison Carlos, que apresentou o Vem com a Gente na G-Stic.
Este ano, pela primeira vez, a G-Stic foi realizada na América Latina. A Fiocruz, no Rio de Janeiro, foi a anfitriã. A lista de palestrantes incluiu nomes importantes, como o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus; o diretor- -geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Qu Dongyu; e a ministra da Saúde, Nísia Trindade Lima. Além deles, especialistas, acadêmicos, autoridades e representantes de agências e organizações não governamentais brasileiros e estrangeiros estão discutindo soluções para enfrentar os grandes desafios do século XX: a desigualdade e a vulnerabilidade social, a crise climática, as ameaças à biodiversidade, entre outros.
Esses temas têm impacto direto na vida de bilhões de pessoas. A questão do saneamento básico, por exemplo, afeta de forma brutal os brasileiros mais pobres. Hoje, 35 milhões de pessoas não têm água encanada em casa, e outros cem milhões não contam com rede de esgoto, segundo estudo do Instituto Trata Brasil. É justamente aí que o Vem com a Gente mostra sua relevância.
— Como Aegea, nosso objetivo é levar saneamento a todos, principalmente, aos que mais precisam. O programa Vem com a Gente já atende milhares de famílias em áreas vulneráveis do Rio de Janeiro, nas palafitas de Manaus, no semiárido nordestino e em outras localidades do Brasil. Água potável, coleta e tratamento de esgoto são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer país — afirma Edison Carlos.
O espírito de fazer a diferença contagia as equipes do programa da Águas do Rio, que, todos os dias, esbarram em histórias como a da dona de casa Marilene da Silva, da comunidade Terra Encantada, na Pavuna. Por décadas, ela precisou recorrer a baldes, canecas e latões para tomar banho ou lavar louça e roupas. Até que, um dia, o VCG chegou. Hoje, ela só precisa abrir a torneira para usufruir de água tratada.
— Hoje a minha casa está limpa. A roupa não está suja. Não fica louça na pia. A higiene da minha família melhorou. Só tenho gratidão!
Mas como funciona o VCG? O programa, que envolve diversas áreas da companhia, como Responsabilidade Social e Comercial, vai de porta em porta escutando a população e conhecendo melhor os problemas dos bairros e das comunidades relativos ao fornecimento de água. Segundo o diretor do programa, Waldyr Vilanova, ao fazer esse levantamento, Águas do Rio vai dando visibilidade aos que sequer apareciam nas estatísticas oficiais.
— Na comunidade Vila Ideal, na Baixada Fluminense, a previsão inicial era visitar em torno de 700 imóveis, mas passamos por mais do que o dobro 1.856. Na comunidade Barreira do Vasco, na Zona Norte da capital, não foi diferente. Visitamos cerca de mil casas a mais do que o previsto. No total foram 3.860 imóveis. São informações importantes para o planejamento e a prestação dos serviços públicos — afirma Waldyr.
Na segunda fase, monta-se uma força-tarefa, que vai atuar juntamente com as lideranças comunitárias e os agentes comerciais, encarregados de regularizar os cadastros e de incluir moradores de baixa renda na tarifa social. Ao mesmo tempo, começam as melhorias operacionais, com a recuperação das redes e dos reservatórios, do sistema de bombeamento, padronização das ligações existentes, novas ligações de água e instalação de hidrômetros.
O programa já passou por comunidades em diversas regiões como: Mangueira, Pavão-Pavãozinho, Parque Arará e Ficap, na capital; Querosene e Chumbada, em São Gonçalo; Pilar, em Duque de Caxias; e Sebinho, em Mesquita. Foram mais de 500 mil imóveis residenciais e comerciais visitados e cerca de 800 mil serviços executados em um ano.
Só que garantir que o acesso aos serviços seja igual para todos exige soluções técnicas e também criativas. A topografia do Rio de Janeiro e a configuração territorial das comunidades, muitas vezes, impedem a utilização de máquinas. Ou seja: a escavação é manual. E, mesmo que seja feita em uma viela apertada, não pode atrapalhar o ir e vir dos moradores.
Há outros obstáculos. Em alguns lugares, é simplesmente impossível escavar, por falta de estrutura. Resta apenas a opção de fazer redes aéreas. E como transportar material até o topo de um morro em que não passa carro ou caminhão? No braço, mesmo.
— Já usamos rapel e técnicas de escalada em alguns lugares. Mas todo esforço vale a pena pela satisfação das pessoas de terem água encanada. Afinal de contas, com a água tratada, chega cidadania. A pessoa passa a ter um comprovante de residência, documento que facilita a vida na hora, por exemplo, de abrir um crediário ou matricular o filho em uma escola. Nosso trabalho muda a qualidade de vida das pessoas — explica um dos gerentes do VCG, Carlos Eduardo Duarte.
Ao que tudo indica, muda também a vida de quem está trabalhando duro para levar o serviço ao morador.
— O Vem com a Gente é o projeto que aderimos para a nossa vida, que está enraizado no nosso sangue. Ele traz conforto e melhores condições de vida para muitas pessoas que estavam à margem desses serviços essenciais — diz o líder de equipe na Águas do Rio Sérgio Rocha.
O compromisso da concessionária é alcançar, com saneamento, dez milhões de pessoas nas 27 cidades do Estado do Rio em que atua. Se depender da Águas do Rio, as muitas “Marias” que moram nas comunidades cariocas e fluminenses não vão mais precisar seguir a sina do velho samba.
Com a palestra “Vencendo o desafio de levar água e esgoto tratados aos mais vulneráveis: o caso Rio de Janeiro e Manaus”, o presidente do Instituto Aegea, Edison Carlos, apresentou ao mundo o programa Vem com a Gente, durante a Comunidade Global de Tecnologia Sustentável e Inovação (G-Stic). A iniciativa reflete a preocupação da empresa com os Objetivos d e Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). A Aegea é a controladora da Águas do Rio.
— Estamos sempre atentos a iniciativas relacionadas aos ODS. Trabalhar os pilares de ESG faz parte do nosso DNA e, em encontros como a G-Stic, temos a oportunidade de mostrar o trabalho que realizamos, com inovação e eficiência, todo o esforço que fazemos para superar os desafios, independentemente do tipo de território, para atender com água potável, coleta e tratamento de esgoto a todas as camadas da população — diz ele.
Em sua apresentação, Edison Carlos destacou o impacto da falta de saneamento na vida das mulheres, que são as mais afetadas. Entre 2016 e 2019 aumentou o número de brasileiras sem água tratada ou sem fornecimento regular e sem banheiro em casa, por exemplo.
— Os estudos reforçam que o acesso universal ao abastecimento de água e coleta e ao tratamento de esgoto pode tirar mais de 18 milhões de mulheres da condição de pobreza — afirma o presidente do Instituto Aegea.
Justamente nesse sentido é que a Águas do Rio investe na melhoria do atendimento para as populações mais fragilizadas. Na palestra, Edison Carlos lembrou que o Rio possui uma expressiva quantidade de pessoas vivendo em condições de pobreza, sendo que a maioria apenas agora começa a ter serviços regulares de água tratada, coleta e tratamento de esgotos.
— Além do esforço concentrado de levar os serviços para essa camada da população mais vulnerável, implementamos um programa de contratação de moradores das comunidades, oferecendo, para muitos deles, a primeira oportunidade de emprego formal. Dos mais de oito mil empregos gerados pela concessionária, 4,5 mil ficaram com moradores selecionados em comunidades — declara, acrescentando que, em um ano, a Águas do Rio inscreveu mais de 118 mil famílias na tarifa social.
— Desenvolvemos soluções para todos os tipos de território, independentemente do tamanho da população, da capacidade de pagamento da família ou do grau de vulnerabilidade. Para isso, atuamos com tecnologias diferenciadas e tarifas menores, tudo para que todas as pessoas possam ter acesso ao que há de mais básico na infraestrutura, que é o saneamento — finaliza Edison Carlos.
Fonte: O Globo
Maior coruja do Brasil é registrada em área de preservação de Valença
02/07/2026
Baleias chegam mais cedo ao litoral e isso pode não ser uma boa notícia
02/07/2026
Recife paga PIX por entulho coletado nas ruas
02/07/2026
Startup de bioingredientes vai conectar Amazônia e mercado global
02/07/2026
Amazônia mostra sinal de mudança funcional para lidar com a seca, aponta estudo
02/07/2026
Ministério da Saúde lança painel de alerta para calor extremo em municípios
02/07/2026
