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Consumo de alimentos pode levar planeta a aquecer 1°C até o fim do século

09/03/2023

Se as tendências atuais forem mantidas, o consumo global de alimentos pode acabar levando a um aumento de cerca de 1°C na temperatura média da Terra até o fim do século. É o que indica uma análise de cientistas dos EUA, que buscou fazer um inventário detalhado das emissões de gases causadores da crise climática vindos da agricultura e da criação de animais no mundo todo.
A relativa boa notícia do trabalho, que acaba de sair na revista científica Nature Climate Change, é que esse efeito sobre o clima não é algo inevitável. Segundo os cálculos dos pesquisadores, mais da metade desse aquecimento pode não acontecer —desde que se adotem medidas como melhores práticas agrícolas, menos desperdício e redução no consumo de carne vermelha.
O trabalho, coordenado por Catherine Ivanovich, do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade Columbia, adotou uma série de cuidados metodológicos para medir de forma mais precisa o efeito dos gases-estufa (basicamente, os que retêm o calor perto da superfície da Terra) derivados do consumo de alimentos.
É comum que as pessoas falem apenas do dióxido de carbono ou gás carbônico (CO2) como o principal gás-estufa, levando em conta sua produção durante a queima de combustíveis fósseis (gasolina ou diesel, por exemplo). No entanto, no caso das emissões de gases da agropecuária, igualmente relevante é o metano (CH4).
Grandes quantidades de metano são produzidas, por exemplo, durante a fermentação da matéria vegetal no sistema digestivo de animais como os bovinos, e também nas áreas alagadas em que há plantio de arroz. O metano é capaz de reter cerca de cem vezes mais calor do que o gás carbônico. Em contrapartida, dura bem menos na atmosfera (cerca de uma década, contra centenas de anos do dióxido de carbono).
De um lado, Ivanovich e seus colegas colocaram na balança as contribuições dos diferentes gases e seu efeito temporal na atmosfera. De outro, levaram em conta estudos sobre as emissões ligadas a quase uma centena de produtos alimentícios e o consumo deles em 171 países, com base em dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).
O próximo passo foi usar essa fotografia das emissões atuais do setor para estimar como elas podem evoluir no futuro e como afetariam o clima global, usando modelos de computador já estabelecidos para esse fim.
Dependendo do crescimento populacional humano até 2100, a equipe estimou que o aumento da temperatura derivado do consumo de alimentos poderia ficar entre 0,7°C e 0,9°C (com margem de erro de 0,2°C para mais ou para menos).
Desse total, quase 60% estão associados ao consumo de carne, leite e derivados, enquanto 19% estão ligados ao consumo de arroz. Portanto, são essas as áreas prioritárias para intervenções, segundo a equipe de pesquisa.
No caso do cultivo do arroz, a equipe calcula que seria possível cortar as emissões de gases-estufa pela metade usando métodos de plantio que minimizam o uso de água (contexto no qual ocorrem as emissões de metano) sem efeitos negativos sobre a produtividade.

Termine de ler esta matéria acessando a Folha de S. Paulo

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