
09/03/2023
As capivaras que habitam a Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio, deixaram de ser alvo apenas da curiosidade e dos cliques de moradores e turistas e passaram a sofrer com atos de violência. Na sexta-feira, o corpo de uma capivara fêmea, batizada como Margarida, foi encontrado às margens da Lagoa, no trecho em frente ao campo de baseball, na altura do corte do Cantagalo. Pelos sinais aparentes, o animal teria sido morto a pedradas.
O caso não é isolado. De acordo com o biólogo Mário Moscatelli, desde 2021 pelo menos outras seis capivaras foram encontradas mortas ou simplesmente desapareceram da Lagoa. Atualmente, segundo ele, restaram apenas duas vivendo no local: Armando, antigo parceiro de Margarida, e Judith, uma fêmea jovem.
— Junto com a morte da Margarida, tivemos informações de que pessoas têm caçado as capivaras na Lagoa de madrugada, inclusive utilizando cães. É algo que precisa ser investigado. Capivaras são animais geralmente pacíficos, a não ser que se sintam ameaçados — disse Moscatelli.
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Margarida. Intimado, Mario Moscatelli será ouvido a respeto na quarta-feira.
Na terça-feira, às 10h, aconteceu uma reunião com representantes da prefeitura do Rio para tratar do assunto de novas ações visando ações de “contenção e proteção das capivaras". Participaração do encontro o subsecretário de Biodiversidade da secretaria municipal de Ambiente e Clima (Smac), Helio Vanderlei, o coronel José Maurício Padrone, da Patrulha Ambiental e Moscatelli.
Entre outubro de 2021 e março do ano passado, pelo menos três casos de pessoas atacadas por capivaras foram registrados na Lagoa, algo incomum segundo o biólogo. Após esses episódios, cercas foram instaladas em três pontos da Lagoa: no Parque dos Patins, na Foz do rio dos Macacos e na Fonte da Saudade.
O desaparecimento das capivaras vem chamando a atenção dos frequentadores do local. Na tarde desta segunda-feira, Gabriel Barreto, morador de Botafogo, estava triste ao sair de casa para sua caminhada diária ao lado da mãe, Rita Schaeppi, na Lagoa Rodrigo de Freitas.
— Hoje vim triste e com raiva, pensando no que fizeram com a capivara. É de uma maldade e covardia que não consigo entender.
Rita também se sentiu indignada e afirmou que, em anos de caminhada pelo local, nunca viu um ato de agressividade por parte das capivaras.
— O bichinho não se mete com ninguém, mas as pessoas não sabem respeitar o espaço do animal — disse ela. — Já vi crianças com pistolas de água atirando nas capivaras, os pais não fizeram nada.
Mãe e filho afirmam ter visto as capivaras diversas vezes, mas que, há alguns meses, os frequentadores da Lagoa têm percebido o desaparecimento dos membros da família, que agora são apenas dois, e desejam respostas sobre o que aconteceu com as demais.
Membro do Laboratório de Ecologia de Aves da UERJ, Gian de Sousa é estudante universitário e frequenta, ao menos duas vezes na semana, o entorno da lagoa para observar as espécies por lá.
— Os visitantes não entendem a importância da biodiversidade desse lugar e como é essencial aprender a viver em harmonia e respeitando esses animais — afirmou o jovem, durante mais uma de suas pesquisas de campo.
Moradores que tendem a visitar o local acompanhados de seus cachorros, afirmam que, muitas vezes, os bichos de estimação se sentem ameaçados pelos animais. Andressa Pazzini, no entanto, é moradora do bairro da Lagoa, na Zona Sul do Rio, e tem o hábito de caminhar com seu pequeno cão pela ciclovia, onde, diversas vezes, já viu a família de capivaras.
— Meu cão não é dos mais calmos, ele gosta de briga, mas nunca quis nada com elas. Todas sempre foram tranquilas conosco, porque sempre respeitamos o espaço delas — afirmou Andressa. — Esse lugar é muito mais delas do que nosso e muita gente parece não querer saber disso.
Fonte: O GLobo
Maior coruja do Brasil é registrada em área de preservação de Valença
02/07/2026
Baleias chegam mais cedo ao litoral e isso pode não ser uma boa notícia
02/07/2026
Recife paga PIX por entulho coletado nas ruas
02/07/2026
Startup de bioingredientes vai conectar Amazônia e mercado global
02/07/2026
Amazônia mostra sinal de mudança funcional para lidar com a seca, aponta estudo
02/07/2026
Ministério da Saúde lança painel de alerta para calor extremo em municípios
02/07/2026
