
14/03/2023
Em 1856, participantes de um congresso científico nos Estados Unidos ouviram a apresentação de evidências inéditas de que o gás carbônico tinha uma capacidade notável de esquentar diante da exposição ao sol e que isso poderia ter um papel no clima do planeta.
Mas quem apresentou essas evidências não foi quem as constatou em um experimento, a cientista amadora americana Eunice Foote (1819–1888) — e sim um outro cientista, Joseph Henry, o primeiro diretor da história do prestigiado instituto Smithsonian.
Pesquisadores contemporâneos consideram que Henry fez isso para destacar os achados de Foote, que foi por ele citada como autora, sem que isso fosse muito chocante para a sociedade — afinal, naquele tempo, a educação e a produção científica separavam homens e mulheres, sendo eles muito mais privilegiados do que elas nesses campos, tanto em termos de acesso a recursos quanto de reconhecimento.
Segundo um relato de 1857 escrito pelo jornalista David Ames Wells sobre o congresso no ano anterior, Henry introduziu a pesquisa de Eunice Foote afirmando que "a ciência não tem país ou sexo" e que "a atuação da mulher inclui não apenas o belo e o útil, mas o verdadeiro".
Ainda que a pesquisa de Foote tenha tido alguma repercussão na imprensa americana da época e tenha sido publicada pontualmente em alguns periódicos científicos, sua contribuição se esvaneceu com o passar do tempo.
A íntegra da matéria está no g1
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