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Acampamento isolado no coração da Amazônia pesquisa efeitos da crise do clima

14/03/2023

Um lugar no coração da Amazônia guarda segredos climáticos da floresta. Isso não significa que se trate de um espaço com propriedades especiais —apesar de uma certa mística que cerca a área. O que torna o chamado Acampamento 41 diferente é que é ali que se procuram os impactos e as respostas da Amazônia à crise climática.
O 41, no estado do Amazonas, faz parte de uma rede de acampamentos em meio às árvores. São neles que os pesquisadores se instalam por longas temporadas para descobrir as interações entre a Amazônia e as mudanças no clima.
Temas importantes para entender o bioma, como o da fragmentação florestal e dos efeitos de borda, são alguns dos estudos desses centros de pesquisa imersos na mata. No 41, mais recentemente, tem sido desenvolvido também um projeto que se debruça sobre a limitação do potencial da Amazônia em absorver gás carbônico (CO2), algo essencial para modelagens climáticas —ou seja, para projetar o futuro do planeta.
Ligados por uma rede de trilhas, os acampamentos de pesquisa —hoje cinco estão ativos, contra dez nos anos 1980— distam poucos quilômetros uns dos outros. São, no entanto, quilômetros de vegetação fechada, onde se perder não é difícil.
O 41 é o mais usado deles. Com estrutura simples, os próprios cientistas precisam se virar com a alimentação e a organização durante a estada. O importante para o trabalho, no entanto, é a própria floresta ao redor.
Idealizado pelo renomado biólogo americano Thomas Lovejoy (1941-2021), junto a outros ambientalistas, o espaço é o berço de projetos como o Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, que é desenvolvido há mais de 40 anos pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).
Essa pesquisa começou em 1979, em parceria com a Instituição Smithsonian, quando ainda era chamada de Projeto Tamanho Mínimo Crítico de Ecossistemas. O ICMBio também participa das ações.
O trabalho procura desvendar como a fragmentação da Amazônia —isto é, o avanço sobre a floresta que a faz virar um mosaico de áreas, hoje especialmente por processos de grilagem e agronegócio— impacta o ecossistema.
Na época do início do projeto, havia a percepção de que o futuro das florestas seria se tornar uma porção de fragmentos. Havia então um debate sobre o que seria melhor para a saúde ambiental: grandes áreas contínuas de mata ou pedaços menores, conta Mario Cohn-Haft, ornitólogo do Inpa.
Hoje, graças ao que foi estudado no Acampamento 41 e em outros locais, já sabemos a resposta: grandes áreas contínuas.
Outra missão do 41 agora é focada em entender como a falta de fósforo em árvores da Amazônia altera a absorção de gás carbônico na floresta.
As árvores usam o CO2 para a fotossíntese, para crescer. Com isso, florestas ricas como a Amazônia servem como sumidouros de carbono. Mas ter mais CO2 disponível —a crise do clima é caracterizada pelo aumento da temperatura global decorrente da maior da concentração desse gás na atmosfera, graças à ação humana— não necessariamente resulta em maior absorção.
No caso amazônico, já se sabe que isso é explicado, pelo menos em parte, pela falta de fósforo, como mostrou uma pesquisa publicada recentemente na revista Nature. O estudo, feito com os pés dentro da floresta mostrando a limitação de absorção de carbono associada ao fósforo, pode, em última instância, impactar as modelagens climáticas e, consequentemente, alterar nossas percepções sobre a crise do clima.
As medições e fertilizações para esse estudo foram feitas em 32 fatias (de 50 m por 50 m) da floresta ao redor do acampamento. Nessa empreitada, o tronco das árvores merece especial atenção pela importante capacidade de armazenamento de carbono.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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