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Brasileira é reconhecida entre 16 mulheres que restauram a Terra

16/03/2023

À medida que a humanidade enfrenta uma crise atrás da outra, as mulheres em todo o mundo estão construindo soluções para uma das ameaças mais graves de todas: a mudança climática. Para marcar o Dia Internacional da Mulher instituído pelas Nações Unidas, celebrado em 8 de março, o Global Landscapes Forum (GLF) homenageou 16 mulheres na linha de frente das crises climática e de biodiversidade.
O GLF é uma plataforma global de uso integrado da terra, dedicada a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo do Clima de Paris. Entre as brasileiras que já foram reconhecidas estão Gisele Bundchen, a cientista Luciana Gatti, Sonia Guajajara e Fe Cortez, que trabalha com a recuperação de resíduos sólidos. Entre líderes globais nos anos anteriores se destacam Jane Goodall, Wanjira Mathai, e Samantha Power. Neste ano, na lista internacional “16 Mulheres que Restauram a Terra 2023”, Maria Amália Souza é a única brasileira.
Essas mulheres excepcionais são as faces da inovação em ciência, tecnologia, arte, políticas públicas, negócios sustentáveis, ativismo ambiental, jornalismo, litígio, financiamento climático, negociações de tratados climáticos internacionais e restauração de ecossistemas de base em todo o mundo.
Para a ambientalista brasileira Maria Amália Souza, as mais importantes florestas tropicais do mundo, as que precisam ser mantidas preservadas por ter condições de minimizar o impacto das mudanças climáticas, estão em países do Sul Global – Amazônia, Bacia do Congo e Indonésia.
“Essas florestas só estão nas condições atuais de preservação até hoje por exclusivo mérito dos povos tradicionais que ali vivem. Ainda assim, a filantropia como um todo deposita bilhões nas mãos de algumas poucas gigantes conservacionistas há décadas, enquanto esses mesmos povos dão suas vidas por esses lugares cotidianamente”, afirma Maria Amália.
Segundo a ambientalista, a preservação depende do apoio direto aos “verdadeiros guardiões nas suas soluções que comprovadamente funcionam. Fazer esse recurso chegar de forma cuidadosa, eficiente e rápida é a nossa missão… E agora, depois de 18 anos, temos mais do que suficiente evidência de que nossa aposta está correta. Falta o resto do mundo entender isso, e rápido, se queremos deixar algum planeta habitável para as futuras gerações”, completa.
Não são apenas palavras. Maria Amália Souza liderou a criação do primeiro fundo socioambiental da América do Sul, desenvolvido por sulamericanos para sulamericanos. Há décadas ela luta para assegurar financiamento para grupos de base comunitária tradicionais, os verdadeiros guardiões dos importantes biomas da região. Em 2005, criou o Fundo Casa Socioambiental, que tem desenvolvido estratégias para fazer o dinheiro de grandes investidores chegar ao coração da floresta, ou seja, às organizações e comunidades que tradicionalmente vivem e conhecem os biomas e que são fundamentais para a conservação da biodiversidade no planeta, incluindo a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, entre outros.
Graduada em Serviços e Desenvolvimento International com foco em Estudos Internacionais de Meio Ambiente pela World College West, na Califórnia, há quase 40 anos, Maria Amália Souza se dedica a desenhar estratégias sistêmicas para assegurar que recursos filantrópicos cheguem aos grupos de base comunitária mais excluídos e vulneráveis. Ela é membro-fundadora da Rede Comuá de Filantropia para Justiça Social e lidera a participação do Fundo Casa Socioambiental em várias coalizões internacionais de fundos/fundações filantrópicas.
Trabalhando em redes capilarizadas e com grande conhecimento sobre o funcionamento da filantropia em vários países, o trabalho de Maria Amália e do Fundo Casa Socioambiental apoia atualmente uma média de 500 projetos por ano. Ao longo de sua história já apoiou mais de 3 mil projetos em 10 países. R$ 62,5 milhões de reais chegando nas mãos de comunidades ribeirinhas, associações de pescadores em regiões afetadas por vazamentos de óleo, grupos de mulheres artesãs, associações de agroecologia, comunidades indígenas, quilombolas, sustentabilidade urbana, soberania alimentar, entre tantas outras formas complementares de aportar recursos para se obter resultados sistêmicos.

Vem saber quem é Maria Amália no CicloVivo

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