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Bolha gigante de algas marinhas deve chegar à Flórida, nos EUA

21/03/2023

Durante grande parte do ano, uma enorme "bolha" marrom flutua, de forma relativamente inofensiva, pelo oceano Atlântico. Suas gavinhas fornecem abrigo e criadouros para peixes, caranguejos e tartarugas marinhas. Abrangendo milhares de quilômetros, é tão grande que pode ser vista do espaço sideral.
Mas os cientistas dizem que nos próximos meses, a bolha —uma massa emaranhada e flutuante de um tipo de alga chamada sargaço— deve chegar à costa da Flórida (EUA) e em outros pontos ao longo do Golfo do México.
Cientistas dizem que a bolha começará a apodrecer, emitindo vapores tóxicos e sujando as praias da região durante os meses mais movimentados do verão.
As algas marinhas, que também podem causar poluição e ameaçar a saúde humana à medida que se decompõem, já começaram a se espalhar pelas costas de Key West, na Flórida.
No México, níveis "excessivos" da alga foram registrados no mês passado nas praias ao sul de Cancún. Fotos e vídeos da região mostram banhistas caminhando pela lama marrom ao longo de praias em geral reluzentes.
"Você não pode entrar na água", disse Leonard Shea, um youtuber viajante, num vídeo recente na cidade turística de Playa del Carmen, que mostrava ondas quebrando sob uma espessa manta de algas. "Não é uma experiência agradável."
O sargaço —um tipo de macroalga que é naturalmente abundante no Mar dos Sargaços, no Caribe— há muito tempo é visto flutuando em mantas no Atlântico Norte. Mas em 2011 cientistas começaram a observar acúmulos extraordinários de algas que se estendem num cinturão da África Ocidental até o Mar do Caribe e o Golfo do México, de acordo com um estudo de 2019.
A imensa floração continuou crescendo quase todos os anos.
Embora os cientistas ainda estejam tentando entender exatamente por que e como a massa, conhecida como o grande cinturão de sargaços do Atlântico, está se expandindo, parece ser sazonal —coincidindo com a descarga dos principais cursos d´água, incluindo os rios Congo, Amazonas e Mississipi.
O escoamento dessas fontes ajuda a alimentar a floração com nitrogênio e fósforo, disse Brian Lapointe, professor e pesquisador da Universidade Atlântica da Flórida, que passou a maior parte de sua carreira estudando o sargaço. As emissões de combustíveis fósseis e a queima de biomassa —como árvores após o desmatamento— também produzem nutrientes, acrescentou, que podem estar ajudando o crescimento da alga.
"Essas florações estão ficando cada vez maiores, e este ano parece que será o maior ano já registrado", disse Lapointe.
Em janeiro, os cientistas mediram a maior floração registrada naquele mês.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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