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Assista a um iceberg do tamanho de São Paulo se desprendendo na Antártida

23/03/2023

Medindo 1550 km², o enorme iceberg A81 — que tem aproximadamente o tamanho da cidade de São Paulo (a área da capital paulista é de 1.521km²) — se desprendeu da plataforma de gelo Brunt no final de janeiro de 2023, e viajou cerca de 150 km ao sul, seguindo o litoral.
As primeiras fotos aéreas do bloco de gelo flutuante foram divulgadas no último dia 13 de março pela British Antarctic Survey (BAS). De acordo com o instituto de pesquisa, “as imagens mostram a natureza dinâmica do iceberg cercado por outros icebergs menores que também se desprenderam”.
O bloco desprendido é formado a partir da rachadura Chasm-1, que permaneceu inativa até 2012 e foi estudada de perto pela BAS. Uma equipe de pesquisadores partiu da Estação de Pesquisa BAS Halley, na plataforma de gelo Brunt, para investigá-lo. O grupo notou, por meio de parâmetros do ar, o início da jornada de A81 no Mar de Weddell. Agora o iceberg está flutuando a aproximadamente 150 km de sua origem.
Segundo o glaciologista Oliver Marsh, que estuda a plataforma de gelo Brunt e acaba de retornar da estação Halley, desde que os glaciologistas observaram pela primeira vez o alargamento do Chasm-1 em 2012, as equipes científicas e de operações da BAS já antecipavam o desprendimento.
“Instrumentos GPS de alta precisão, bem como dados de satélite, foram usados ​​para monitorar o alargamento do abismo e, em 2016, o BAS tomou a precaução de mover a Estação de Pesquisa Halley para o interior para protegê-la”, contou Marsh, em comunicado.
O monitoramento da BAS mostrou que a área da estação de pesquisa está praticamente inalterada pela jornada do bloco de gelo. O desprendimento é algo natural ao longo da costa antártica, sendo o A81 o segundo maior iceberg da região em dois anos.
Agora o A81 está indo para o sul, com a expectativa de que siga passos de icebergs anteriores varridos pela forte Corrente Costeira Antártica para o oeste. Os cientistas da BAS e a comunidade em geral continuarão a monitorar o bloco.
A BAS também vigia A76A, que mede aproximadamente 3200 km² e tem a forma de uma tábua de passar roupa gigante. Esse bloco de gelo é o maior dos três pedaços do iceberg A76 que se desconectou da plataforma de gelo Filchner-Ronne em maio de 2021.
Com 135 km de comprimento e 25 km de largura, A76A é o maior iceberg flutuante do planeta – tem quase duas vezes o tamanho da cidade de São Paulo – e está indo em direção à ilha da Geórgia do Sul.
Uma vez que libera grandes volumes de água doce e nutrientes e pode interromper as correntes oceânicas, bloqueando as rotas de alimentação da vida selvagem, o iceberg tem potencial para causar uma grande perturbação no ecossistema ao redor da Geórgia do Sul e nas proximidades de Shag Rocks.
O professor Geraint Tarling, chefe da equipe de Ecossistemas da BAS, estava a bordo em janeiro de 2023 do veículo marítimo RRS Discovery, operado pelo National Oceanography Centre, que completou uma circunavegação do A76A amostrando as águas ao redor do iceberg.
Ele conta que o bloco de gelo pode causar impactos tanto negativos quanto positivos. O lado positivo é que seu derretimento libera muitos nutrientes que podem beneficiar o crescimento de plantas microscópicas, como o fitoplâncton, que são base nas cadeias alimentares oceânicas.
“O lado negativo é que esse mesmo derretimento, em tão grande escala, despeja muita água doce no oceano, o que diminui os níveis de salinidade e torna as águas impróprias para muitos fitoplânctons e zooplânctons que deles se alimentam”, contrapõe. “Esses efeitos poderiam então se espalhar pela cadeia alimentar para peixes, pássaros, focas e baleias”.
Icebergs ao redor da Geórgia do Sul não são incomuns. Outro exemplo é A68A, que atingiu a plataforma sul da ilha em 2021, liberando com o degelo 152 bilhões de toneladas de água doce.
Além do impacto ecológico, icebergs da região podem apresentar risco para embarcações, conforme alerta Mark Belchier, do governo da Geórgia do Sul e das Ilhas Sandwich do Sul. “Parece que o A76A pode acabar indo para o oeste da Geórgia do Sul, não para o leste, onde o A68 se separou, mas ainda há muita incerteza sobre isso. Estaremos observando seu movimento de perto”, ele diz.

Fonte: Revista Galileu

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