
11/04/2023
A cientista brasileira Thelma Krug poderá, em julho, fazer história no IPCC, o painel intergovernamental das Nações Unidas (ONU) reconhecido mundialmente como a fonte mais confiável de informações sobre as mudanças do clima.
A matemática paulista é candidata à presidência do painel, atualmente comandado pelo sul-coreano Hoesung Lee.
Se eleita, além de assumir a chefia do IPCC durante o ciclo de 2023 a 2028, Krug poderá ser a primeira mulher à frente da organização, que, além de Lee, teve mais três chefes desde a sua fundação em 1988 - todos homens e nenhum da América do Sul.
"O IPCC não gosta de ser catastrófico. Na verdade, a ciência mostra que você pode estar caminhando numa trajetória realmente catastrófica para o futuro, mas o outro lado da ciência também mostra que há caminhos que ainda podem ser trilhados, com enormes desafios, claro", diz a especialista, fazendo referência às ações urgentes -e necessárias- de redução da emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.
Segundo os atuais cálculos do IPCC, precisamos reduzir as emissões globais pela metade até 2030 [48%] e até 99% até 2050 para que o aquecimento do planeta não ultrapasse o limite de 1,5°C até o fim do século.
A cientista, que já era vice-presidente do painel desde 2015, foi indicada pelo Ministério das Relações Exteriores para o cargo mais alto do órgão, dentro de um seleto grupo de representantes. Segundo ela, sua candidatura foi enviada nesta segunda-feira (10) ao secretariado do painel em Genebra.
O g1 entrou em contato com o Itamaraty, mas ainda não obteve retorno sobre a candidatura de Krug.
Sobre o processo de seleção, a matemática, que também trabalhou no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) por 37 anos, diz estar bastante animada, principalmente por incentivo do seu neto Luca, de 10 anos, um "autodidata da mudança do clima" que, segundo ela, foi seu maior estimulador.
"Ela falou para mim: ´vó, acho que você deveria se candidatar porque você consegue fazer a diferença´. Então isso me tocou muito", acrescenta.
"E eu acredito que posso aperfeiçoar as coisas que já funcionaram bem ao longo do último ciclo, como a comunicação do órgão, que melhorou muito e facilitou a compreensão por uma gama maior de interessados nessa temática".
Se eleita, Krug também promete fazer mais presente discussões sobre gênero e diversidade dentro do painel, não apenas assegurando cada vez mais a participação de mulheres cientistas nas pesquisas, mas também estimulando o reconhecimento dessas pesquisadoras.
A votação é secreta e acontecerá em julho.
O processo de candidatura nomeação começou há pelo menos 10 dias e, além de Krug, outros três candidatos também estão inscritos, representando a África do Sul, do Reino Unido e da Bélgica.
As nomeações ainda não foram fechadas, e o IPCC ainda pode ter mais nomes em discussão para à presidência do próximo ciclo.
"E são todos excelentes candidatos. A competição será bastante acirrada", afirma a cientista.
O painel tem 195 países membros e cada um tem um voto. Na sessão plenária, representantes de pelo menos 98 estados devem estar fisicamente presentes na sala para votar.
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
Maior coruja do Brasil é registrada em área de preservação de Valença
02/07/2026
Baleias chegam mais cedo ao litoral e isso pode não ser uma boa notícia
02/07/2026
Recife paga PIX por entulho coletado nas ruas
02/07/2026
Startup de bioingredientes vai conectar Amazônia e mercado global
02/07/2026
Amazônia mostra sinal de mudança funcional para lidar com a seca, aponta estudo
02/07/2026
Ministério da Saúde lança painel de alerta para calor extremo em municípios
02/07/2026
