
11/04/2023
Já pensou em trocar o lixo de casa por compras no mercado ou na padaria? Um projeto da Prefeitura do Rio está ajudando a população carente e limpando as ruas de comunidades.
Moisés Reis é catador profissional e ganha a vida recolhendo lixo. Com um carrinho, ele leva o material que recolhe nas ruas para reciclagem.
“Pego no chão, pego na loja. Para muitos é lixo, mas para mim não é não. Papelão, trabalho com tudo, ferro, lata. É trabalho duro, não é mole não."
A catadora Maria do Carmo também separa o que recolhe das ruas do Rio.
“Eu cato, separo. É o dia todo. Eu vou pra um lugar e vejo uma latinha e pego. Vejo um PET, pego. A minha vida é assim, eu não paro não”, conta a catadora.
A reciclagem ajuda Maria a ganhar um dinheiro extra. “Estou pagando as minhas dívidas, só do meu cartão estou pagando R$ 800.”
Tudo é levado para um ponto de coleta na comunidade Asa Branca, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. O local é um dos 11 pontos do projeto Recicla Comunidade, mantidos pela Prefeitura do Rio. Todo material que chega é pesado e separado.
A catadora ganhou R$ 41 pelos cinco sacos de lixo. Outros moradores também aproveitam a oportunidade.
“Eu venho todos os dias. Faço um bico na cozinha, o que sobra, falo com a patro e pergunto se posso levar. A reciclagem me ajuda muito", diz a desempregada Jacilia dos Santos.
Jacilia acessa o pagamento pelo lixo com um cartão. Ela pode trocar o valor recebido por dinheiro ou usar como crédito em lojas de comerciantes cadastrados. No Rio, existem mais de 240 pontos cadastrados no projeto.
“Eu pago a alimentação dos meus filhos, porque eu sou mãe solteira. Pago alimentação, remédio, porque às vezes no SUS não tem e eu tenho que correr para as farmácias. Foi muito bom ter o Recicla na comunidade. Não ajuda só a mim. Deixamos a rua limpa e fazemos uma boa ação para a comunidade", fala.
O Recicla Comunidade chamou a atenção também dos moradores de condomínios que ficam perto da comunidade Asa Branca.
Marisa Melo foi bancária e hoje dá aulas de educação financeira para crianças com a ajuda do projeto.
“Eu sou moradora da região. Costumo fazer minhas caminhadas por aqui e utilizo o serviço de um comércio local aqui na comunidade. Além de ser professora, eu sou mãe e acredito que através dessas ações a gente consegue construir o nosso mundo melhor, o nosso planeta melhor.”
“Eu mostro pra eles que o lixo tem valor. O valor que eu arrecado, eu compro material de estudo, folhas, pão na padaria também”, diz a professora.
A secretária de Ação Comunitária, Marli Peçanha, diz que o projeto não só transforma o lixo em dinheiro, mas ajuda a melhorar a qualidade de vida da população.
"Ele faz com que tenha-se mais saúde, porque com a comunidade sadia, os moradores se tornam bem mais sadios."
A presidente da Associação de Moradores da Asa Branca diz que, antes do projeto, muitos moradores não tinham conhecimento e não sabiam da importância da reciclagem e acabavam jogando o lixo nos rios.
"Agora o rio tá limpo, a coleta de lixo diminuiu em 70%. E com isso, quem ganhou foi a população, que tem uma renda extra e os comerciante locais", diz Amanda Ramos.
Leia a matéria completa no g1
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