
13/04/2023
“O nosso propósito é maior que manter a floresta em pé, maior do que cuidar das pessoas que cuidam da floresta. Trabalhamos para perpetuar a Amazônia viva, com todos e para todos”, resume Valcléia Solidade, superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), organização que completa 15 anos em 2023. A história desta mulher forte, que cresceu em uma comunidade quilombola no Pará, se mistura com a da própria fundação – o fio condutor é sempre o olhar e apoio às pessoas que vivem na floresta.
Val, como é conhecida, começou a trabalhar na fundação há 14 anos e 5 meses poucos meses depois que a FAS foi criada pelo professor Virgílio Viana, atual superintendente-geral da organização que hoje está presente em 582 comunidades em 16 Unidades de Conservação da Amazônia.
“A FAS nasceu para apoiar a e fortalecer as políticas públicas. Desde que começamos o trabalho nas Unidades de Conservação, nosso propósito é trazer conhecimento e fazer com que o território possa se fortalecer e se desenvolver”, conta Val.
Cuidar de quem cuida da floresta tem dado certo. Entre 2015 e 2021, as ações da FAS contribuíram para aumentar a renda média das comunidades em 202% e reduziu o desmatamento em 40% nos territórios onde atua. Entre as atividades da fundação está o apoio à implementação de políticas públicas, como o antigo Programa Bolsa Floresta do Governo do Amazonas, atual Guardiães da Floresta, que realiza pagamentos por serviços ambientais aos moradores de Unidades de Conservação ajudam na conservação de territórios.
Além de benefícios socais, esse trabalho também transforma os comunitários em guardiões da Amazônia. As lideranças locais são fortalecidas por meio de novas oportunidades de geração renda, capacitação profissional para adultos, educação formal e educação para a sustentabilidade para jovens e crianças, além de acesso à energia, por meio de placas e sistemas solares.
“As pessoas tem que ter a oportunidade de continuar na floresta. Ficar onde elas estão e ter acesso aos benefícios da floresta em pé”, defende Roberto Brito, que hoje é dono da Pousada do Garrido, localizada na Comunidade Tumbira, a 80km de Manaus, nas margens do Rio Negro. Além da pousada, ele administra outras três casas na comunidade que podem receber turistas o ano inteiro. Líder comunitário, ele é um exemplo vivo da transformação gerada por conhecimento e oportunidades.
Com 12 anos, Roberto já saia com seu pai para o meio da floresta para derrubar árvores, cortar e vender madeira. Passava dias embrenhado na mata, em um trabalho extenuante e ilegal. Ao final do mês, ganhava pouco porque dividia o dinheiro da venda com muita gente – o lucro real ficava com quem comprava e revendia a carga.
Ele lembra que depois de receber seu primeiro grupo de turistas por uma semana, ganhou o que não ganhava em 3 meses com a madeira. Os benefícios foram divididos entre outros ribeirinhos, que também se engajaram no ecoturismo e muitos seguem até hoje na atividade, que trouxe muito mais do que ganhos econômicos.
“A autoestima dos caboclos era muito baixa, por não ter escolaridade. Com o ecoturismo eles passaram a ser valorizados, dão aula sobre o contato com a natureza. As pessoas de dentro da comunidade estão passando este legado para quem vem de fora”, explica o empreendedor e guardião da floresta.
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