
13/04/2023
Com águas turvas, de coloração avermelhada, e a presença de peixes mortos, o Rio das Velhas entrou em estado de alerta em Honório Bicalho, distrito da cidade de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. É lá que a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) faz a captação de água para abastecimento de 60% da Grande BH.
A situação assusta moradores e comerciantes. Segundo o caminhoneiro e pescador Daniel Ramos, na semana passada foi verificado um escoamento de água da barragem Ecológica 1 diretamente no Córrego Fazenda Velha, o que provocou um aumento considerável da turbidez da água do córrego e também do Rio das Velhas, inclusive com mortandade de peixes.
Os sedimentos teriam vindo de uma barragem que pertence à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que, segundo a empresa, é usada para contenção de sedimentos. Durante uma limpeza da estrutura o material acumulado no fundo se soltou.
Na avaliação do ambientalista e pesquisador do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Daniel Neri, a tonalidade da água evidencia, nitidamente, a presença de rejeitos de minério de ferro.
"Nitidamente a cor mostra que ali é rejeito de minério de ferro, e a gente parece que não aprendeu nada com as duas tragédias com barragens de mineração. A gente precisa de uma resposta imediata, ninguém bebe minério. Qual a qualidade da água que está sendo captada pela Copasa pra distribuir pra população daqui de Belo Horizonte e da Grande BH?", alerta o especialista.
Em nota, a CSN esclareceu que a estrutura denominada como Ecológica 1 não recebe rejeitos. "Ela é utilizada para contenção de sedimentos e clarificação de água. Anualmente, é parte do planejamento operacional da Companhia realizar a limpeza dessa estrutura de modo a remover os sedimentos que, por ventura, possam ter se acumulado, mitigando, assim, possíveis impactos nos corpos hídricos a jusante", justificou. Abaixo nota completa.
"Ocorre que, durante essa atividade, necessária para o desassoreamento da estrutura ECO 1, houve um revolvimento do material que estava acumulado no fundo. Isso desencadeou, na última semana, uma elevação da cor aparente e da turbidez da água, gerada pela retirada de sedimentos da própria estrutura e fortes chuvas dos últimos dias. Após inspeções locais realizadas pelo corpo técnico da Minérios Nacional, não foi constatado prejuízo ambiental já que não houve qualquer vazamento de material para o Córrego Fazenda Velha e Rio das Velhas. Além disso, importante ressaltar, que a elevação da turbidez e coloração da água (cor aparente) foi imediatamente resolvida.
Sobre as barragens existentes no complexo de Fernandinho, cabe informar que não houve qualquer alteração em seus níveis de segurança, visto que não há nenhuma relação entre o acontecido e a segurança ou quaisquer outros aspectos relacionados as demais barragens do complexo.
A Minérios Nacional destaca que todas as demandas e esclarecimentos trazidos pelos órgãos de controle foram seguidos e executados, e reafirma que não houve qualquer vazamento de material das barragens. Por fim, a Companhia informa que todas as medidas foram tomadas para que eventos semelhantes não voltem a acontecer quando da realização dessa atividade que é de rotina e realizada periodicamente."
Por meio de nota, o Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) disse que recebeu, no último dia 27 de março, denúncia sobre alteração da coloração da água do Rio das Velhas, material que seria proveniente do córrego afluente Fazenda Velha, que possui barragens e diques a montante.
Veja a nota na íntegra no g1
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