
18/04/2023
O mundo provavelmente usará menos combustíveis fósseis para produzir eletricidade neste ano, que deve marcar um "ponto de virada" em direção a um consumo sustentável de energia no planeta.
Essa é a conclusão de um relatório recém-publicado por analistas da Ember, think tank que se dedica à pesquisa na área de energia.
Conforme as estimativas divulgadas no estudo, 2023 seria o primeiro ano fora de um período de recessão global ou pandemia a registrar queda no uso de carvão, petróleo e gás para gerar eletricidade - com consequente redução na liberação de gases causadores do efeito estufa.
Os autores atribuem a mudança esperada a um boom na geração de energia renovável liderado principalmente pela China.
Em 2022, a participação das energias eólica e solar bateu recorde e passou a responder por 12% da eletricidade global produzida. O volume de novas turbinas eólicas inauguradas só nesse período é grande o suficiente para abastecer quase todo o Reino Unido.
Nesse cenário, de acordo com as estimativas da Ember, que consideram dados de países que representam 93% do consumo global de eletricidade, as fontes renováveis devem atender a todo o crescimento da demanda deste ano.
A produção de eletricidade é hoje a maior causadora do aquecimento global, responsável por mais de um terço das emissões de carbono relacionadas à energia em 2021.
Nesse sentido, a eliminação gradual do carvão, petróleo e gás neste setor é considerada essencial para ajudar o mundo a conter as mudanças climáticas.
Esta é a quarta edição do relatório Global Electricity Review 2023, e indica que um progresso significativo está sendo feito na redução da participação dos combustíveis fósseis na produção de energia.
Os principais avanços observados são o aumento contínuo do uso de energia solar e eólica como fontes economicamente viáveis. Em todo o mundo, a produção de energia solar cresceu 24% em 2022, o suficiente para atender a demanda anual de um país como a África do Sul.
Junto com as energias nuclear e hidrelétrica, as fontes renováveis produziram 39% da eletricidade global em 2022 - o maior percentual registrado, segundo o relatório.
Em paralelo, contudo, as emissões de carbono do setor continuaram crescendo, especialmente por conta do aumento do uso de carvão.
De acordo com os autores do levantamento, isso ocorre porque a demanda geral por eletricidade cresceu, e só parte desse incremento foi atendido por fontes renováveis.
Também houve problemas com a produção de energia nuclear e hidrelétrica em 2022, entre eles a desativação de reatores nucleares na França e a redução no nível de rios na Europa em locais para geração hidrelétrica.
Em 2023, porém, o crescimento da produção de energias eólica e solar seria, ainda conforme o relatório, maior do que o crescimento da demanda - o que marcaria um ponto de inflexão na tendência de emissão de gases de efeito estufa.
"Quando você para de adicionar mais combustíveis fósseis para gerar eletricidade, começa a ver uma queda nas emissões", afirma Malgorzata Wiatros-Motyka, principal autora do estudo.
"Isso é extremamente importante no contexto da eletrificação crescente, pois temos mais veículos elétricos e mais bombas de calor. Assim, a ´limpeza´ do setor de energia também reduzirá as emissões em outros setores."
Embora a queda nas emissões de combustíveis fósseis para a geração de eletricidade neste ano deva ser pequena, em torno de 0,3%, os especialistas acreditam que a redução continuará e se acelerará nos próximos anos.
A chave para isso é uma diminuição no uso de gás, que caiu ligeiramente em 2022, de acordo com o relatório, com alguns países como o Brasil vendo um aumento na produção de energia hidrelétrica, que reduziu o uso de gás no país em 46% no período.
A matéria completa pode ser lida no g1
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