
20/04/2023
Depois de décadas de protestos de ativistas e sob uma preocupação ainda atual sobre sua independência energética, a Alemanha fechou no sábado (18) suas três últimas usinas nucleares: Isar 2, Neckarwestheim e Emsland.
O medo de acidentes como o ocorrido no Japão e a busca por fontes renováveis estão entre os principais motivos da decisão tomada pelo atual governo alemão, formado por uma coalizão de social-democratas, verdes e liberais. Apesar da conclusão do processo, ele encontrou críticos, sobretudo entre os opositores conservadores.
☢️ Contexto: Os reatores desligados neste mês forneciam 6% do total de eletricidade consumida no país. Em 1997, esse número chegou a corresponder a 30% com o funcionamento de 19 reatores de usinas nucleares.
O desligamento dessas três últimas usinas estava previsto para 31 de dezembro de 2022, mas acabou adiado por causa da guerra da Ucrânia. O ato representou "o fim de uma era" que começou em 17 de junho de 1961, quando a usina de Kahl, na Baviera, entrou em funcionamento.
Abaixo, entenda os motivos que levaram ao fechamento dessas usinas, as principais críticas a esse modelo de produção de energia e os dilemas que a Alemanha ainda enfrenta:
Lei, protestos e risco dos resíduos
° Lei nacional orientou fechamento: Desde 2002 já há havia discussões a respeito e foi aprovada uma lei para a retirada dessa fonte energética do país. Ao todo, o processo de eliminação gradual da energia atômica do país durou mais de 20 anos. Desde 2003, a Alemanha desligou 16 reatores.
"Os riscos ligados à energia nuclear são, definitivamente, não administráveis", disse a ministra do Meio Ambiente, Steffi Lemke.
° Protestos aceleram processo: Em 2011, após o acidente nuclear em Fukushima, quando mais de 50 mil alemães foram às ruas para exigir o fechamento das usinas nucleares do país, o governo alemão - então sob o comando da chanceler Angela Merkel (CDU) - anunciou o acordo para o fechamento de todas as usinas até 2022.
° Gestão de resíduos era (e ainda é) preocupação: Uma das principais vozes contra as usinas, o Greenpeace afirma que Alemanha não possui um único depósito seguro para armazenar resíduos nucleares e que a construção de novas usinas nucleares só agravaria esse problema.
“A energia nuclear forneceu eletricidade por três gerações, mas seu legado permanece perigoso por 30.000 gerações”, disse Lemke.
° Alto custo da energia nuclear vira argumento: O Greenpeace afirma ainda que a energia nuclear é cara e que mais da metade do urânio usado na produção de energia nuclear é importado de países como Rússia, Cazaquistão e Uzbequistão.
O mapa mostra as usinas nucleares na Alemanha, tanto reatores de potência quanto protótipos. É feita uma distinção entre os seguintes status do sistema:
° "Permanentemente desativadas": usinas para as quais ainda não foi emitida licença de desativação ou a licença ainda não foi aplicada.
° "Em desativação": para usinas que estão em recinto seguro ou em desativação com o objetivo de desmantelá-las para liberação da supervisão nuclear.
° "Encerradas": para três usinas nucleares até agora, que foram completamente desmanteladas e liberadas do escopo da Lei de Energia Atômica.
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