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Mata Atlântica ganha 450 mil novas árvores na temporada de chuvas

20/04/2023

O período que apresenta a maior concentração de chuvas do ano é muito importante para projetos de restauração de florestas. E, no último período de chuvas, a Mata Atlântica recebeu 450 mil novas árvores, graças ao apoio de 30 empresas IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas na restauração da Mata Atlântica. O plantio destas mudas aconteceu entre outubro/22 a março/23 e foi o maior desde 2020, o que revela uma tendência crescente de engajamento da iniciativa privada na esfera socioambiental.
É importante ressaltar que as árvores não regeneram apenas as florestas, mas também protegem nascentes e cursos d’água e contribuem com o aumento da segurança hídrica. Além disso, os plantios contribuem para a geração de emprego e renda, uma vez que nos projetos do IPÊ as áreas são acompanhadas por no mínimo dois anos, para garantir o crescimento florestal.
“Está cada vez mais evidente que é preciso agir. A restauração florestal tem o potencial de contribuir com a redução dos efeitos das mudanças climáticas, mas é muito mais. Estamos falando também de segurança hídrica, com impacto no médio prazo, já que as mudas de árvores mesmo na fase de desenvolvimento contribuem com o aumento da absorção da água da chuva pelo solo, e também com a biodiversidade”, reforça Andrea Peçanha, coordenadora da Unidade de Negócios Sustentáveis do IPÊ. Para ela, houve uma guinada no posicionamento de empresas quanto à restauração florestal.
Os plantios com mudas nativas da Mata Atlântica promovidos pelo IPÊ são realizados em duas áreas estratégicas do estado de São Paulo. Uma delas é a região do Sistema Cantareira que é chave para o abastecimento de água de mais de 7 milhões de pessoas que vivem na capital paulista e na região metropolitana, assim como moradores da região produtora de água.
A segunda é a região do Pontal do Paranapanema, no extremo Oeste do estado de São Paulo, em que parte significativa do apoio à restauração está relacionada à conservação do mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), uma espécie endêmica do estado de São Paulo, que tem como principais desafios a perda de habitat e a fragmentação das áreas remanescentes.
Desde 2011, o IPÊ plantou 540 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica na região no Sistema Cantareira. Entre outubro de 2022 e março de 2023, foram mais 130 mil mudas.Na última semana de março, o IPÊ celebrou a conclusão do primeiro ciclo de parceria com a empresa União Química com o plantio de 100 mil árvores nessa temporada, foi o maior aporte da iniciativa privada no Sistema Cantareira, no período. “Parcerias como essa são estratégicas e possibilitam o ganho de escala, afinal não faltam motivos para acelerarmos a restauração florestal. Na prática, com a União Química estamos falando de 50 hectares restaurados, o equivalente a 50 campos de futebol”, destaca Andrea Peçanha.
O cenário atual mostra que é preciso aumentar a permeabilidade do solo com práticas de uso do solo mais sustentáveis, que vão desde aumento da área restaurada, sistemas produtivos sustentáveis até o manejo da pastagem ecológica. “Dessa forma é possível descompactar o solo, o que aumenta a infiltração da água da chuva. Assim com mais água armazenada no solo, teremos melhores condições de enfrentar o período de abril a setembro” destaca Alexandre Uezu, pesquisador do IPÊ e coordenador do projeto Semeando Água que atua na região.
Em 2023, o Sistema Cantareira, um dos maiores sistemas de abastecimento de água do mundo chegou ao fim da estação chuvosa (final de março) com 81% da capacidade. De dezembro de 2022 a março 2023, choveu 18% acima da média histórica, 154,5 mm a mais; na prática é como se tivéssemos tido um mês a mais de chuvas. O volume de água é positivo à primeira vista, mas esconde uma realidade que precisamos estar atentos.

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