
25/04/2023
As geleiras do mundo derreteram a uma velocidade vertiginosa no ano passado, um fenômeno que parece impossível de parar, alertou a ONU (Organização das Nações Unidas) na sexta-feira (21).
Os últimos oito anos foram os mais quentes já registrados, enquanto as concentrações de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, atingiram novos recordes, lembrou a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
"O gelo marinho da Antártida atingiu seu nível mais baixo e o derretimento de algumas geleiras europeias literalmente quebrou recordes", alertou a OMM, agência especializada das Nações Unidas, em seu relatório anual sobre o estado do clima mundial.
O nível do mar também atingiu recordes, com uma elevação média de 4,62 milímetros por ano entre 2013 e 2022, o dobro do registrado entre 1993 e 2002.
Além disso, temperaturas recordes foram registradas nos oceanos, onde termina cerca de 90% do calor retido na Terra pelos gases do efeito estufa.
No Acordo de Paris de 2015, os países concordaram em limitar o aquecimento global a "muito abaixo" de 2ºC, de preferência 1,5ºC, em comparação com os níveis de 1850-1900.
Segundo o relatório da OMM, a temperatura média global em 2022 foi 1,15ºC acima da média de 1850-1900.
Da mesma forma, nos últimos oito anos, as temperaturas médias globais atingiram recordes, apesar do resfriamento causado pelo fenômeno meteorológico La Niña por três anos consecutivos.
As concentrações de gases de efeito estufa atingiram novas máximas globais em 2021 e continuaram aumentando em 2022.
As geleiras que os pesquisadores usam como referência perderam em média mais de 1,3 metro de espessura entre outubro de 2021 e outubro de 2022, uma queda muito maior do que a média dos últimos dez anos. Desde 1970, as geleiras perderam cerca de 30 metros de espessura.
Na Europa, os Alpes quebraram recordes de derretimento de geleiras devido a uma combinação de baixa neve no inverno, uma intrusão de poeira do Saara em março de 2022 e ondas de calor entre maio e início de setembro.
"Para as geleiras, o jogo já está perdido", disse à AFP Petteri Taalas, secretário-geral da OMM. "A concentração de CO₂ já é muito alta e a elevação do nível do mar provavelmente continuará por milhares de anos."
Nos Alpes suíços, "no verão passado perdemos 6,2% da massa glacial, a maior quantidade já registrada".
"Isso é sério", alertou, explicando que o desaparecimento das geleiras limitaria o fornecimento de água potável para humanos e para a agricultura, além de prejudicar as conexões de transporte se os rios se tornassem menos navegáveis.
Isso representará "um grande risco para o futuro", disse Taalas. Não é possível parar o degelo "a menos que criemos uma forma de eliminar o CO₂ da atmosfera", acrescenta.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
Maior coruja do Brasil é registrada em área de preservação de Valença
02/07/2026
Baleias chegam mais cedo ao litoral e isso pode não ser uma boa notícia
02/07/2026
Recife paga PIX por entulho coletado nas ruas
02/07/2026
Startup de bioingredientes vai conectar Amazônia e mercado global
02/07/2026
Amazônia mostra sinal de mudança funcional para lidar com a seca, aponta estudo
02/07/2026
Ministério da Saúde lança painel de alerta para calor extremo em municípios
02/07/2026
