
25/04/2023
Uma pesquisa iniciada há 15 anos e sem prazo para terminar reúne em um único catálogo o levantamento completo da flora, fauna e funga* do Brasil. O “Catálogo da Vida do Brasil”, um dos poucos existentes no mundo, é coordenado pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e será oficialmente reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) como a única e oficial lista do País. O próximo passo será o levantamento dos micro-organismos e fósseis, além da inclusão dos animais domésticos e de interesse agropecuário. Sob a coordenação do JBRJ, os sistemas serão unificados, hospedados e gerenciados, reunirão todas as espécies de seres vivos do território nacional, com acesso livre para consulta.
O estudo, que reuniu cerca de dois mil taxonomistas e uma centena de instituições, até agora indica que o Brasil possui 133.000 espécies de animais e mais de 50 mil espécies de plantas e fungos conhecidas pela ciência. Mas, conforme explica Rafaela Campostrini Forzza, coordenadora do projeto, todos os dias pelo menos uma nova espécie é catalogada. Por isso a pesquisa está em constante evolução. O catálogo fará com que os números – que foram validados por especialistas do mundo todo – deixem de ser meras estimativas. “Temos a expertise dos taxonomistas, o know-how da Coppe [Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia, da UFRJ] na área de sistemas e dados, então, como autarquia do Ministério do Meio Ambiente, concluímos que concentrar todos os dados em nossa base seria positivo”, explica Rafaela.
Com a fundamentação básica e a qualificação das informações, o catálogo irá permitir uma busca online confiável; oferecerá a síntese dos diferentes grupos taxonômicos (por bioma, região, bacia hidrográfica etc.); padronizará nomes científicos em uso, revelará os grupos negligenciados e lacunas de amostragens e confirmará se realmente o Brasil é o país mais megadiverso do mundo. Na opinião de Rafaela, a maior contribuição da pesquisa será nortear políticas públicas que garantam o desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental e que identifiquem as áreas prioritárias para conservação.
O projeto, que conta com aporte de R$ 1,165 milhão da FAPERJ por meio do programa de fomento à pesquisa Apoio a Projetos Temáticos no Estado do Rio de Janeiro, teve início em 2008 com a pesquisa “Flora do Brasil”, também conduzida pelo Jardim Botânico e atualmente nomeada "Flora e Funga do Brasil (FBB)" por incluir, além das plantas, os fungos. Essa pesquisa também contou com aporte de recursos de cerca de R$ 2 milhões da FAPERJ, posteriormente consolidada como programa "Reflora", em 2010, pelo governo brasileiro, com suporte financeiro do CNPq.
Em 2015, esse sistema serviu de base para o desenvolvimento do "Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil" (CTFB), com aporte de recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Ministério do Meio Ambiente, iniciado pelo biólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP) Hussam Zaher, um especialista em répteis que atualmente se dedica ao estudo dos fósseis. Com o afastamento do professor Zaher, o oceanógrafo Walter Boeger, mestre e doutor em Zoologia e professor do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), assumiu a coordenação da pesquisa.
“O trabalho da Rafaela na Flora é nossa inspiração. Foi ela quem acolheu a lista de espécies da fauna quando nós a finalizamos. Competente, ela tem uma capacidade única de mobilizar e agregar as pessoas”, elogia Boeger. Rafaela contesta em tom de brincadeira: “Faço tudo para descentralizar essa pesquisa, mas eles sempre querem me incluir em tudo”. Atual coordenadora da área de Ciências Biológicas da FAPERJ, Rafaela não consegue identificar o porquê da sua capacidade mobilizadora e agregadora. “Sou isso”, resume, ressaltando que trabalha com metas alcançáveis e não prorrogáveis, e que as pessoas gostam disto. Ele espera que o catálogo possa ser adotado por diversos ministérios.
Esta reportagem pode ser lida na íntegra no site da Faperj
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