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Golfinhos-pintados são registrados em Fernando de Noronha

25/04/2023

Um grupo de golfinhos-pintados foi avistado em Fernando de Noronha. A espécie não é comum na ilha, já que, no arquipélago, o mais comum é encontrar golfinhos-rotadores, Stenella longirostris.
Eles nadavam na área conhecida como mar de dentro, entre a Praia da Cacimba do Padre e a Baía de Santo Antônio. Segundo os pesquisadores, esse é o primeiro registro de golfinho-pintado-pantropical em Fernando de Noronha no período chuvoso.
Nós estávamos pescando atum e encontramos esse grupo de golfinhos-pintados. Eles estavam na região e foi possível fazer o registro”, afirmou o marinheiro Ian Chacal, que fez o registro.
O oceanógrafo José Martins, do Projeto Golfinho Rotador, disse que a instituição recebeu informações de tripulantes de embarcações da ilha que também avistaram os golfinhos-pintados-pantropicais, que tem nome científico Stenella attenuata.
“O grupo visto conta com cerca de 30 golfinhos-pintados-pantropicais predominantemente adultos, com no mínimo dois juvenis”, relatou José Martins.
O pesquisador informou que o Arquipélago de Fernando de Noronha é uma espécie de oásis no meio do oceano, tanto na região mais profunda, conhecida como paredes, como em águas protegidas de ventos e correntes.
Esta situação propicia o avistamento de animais pelágicos (que vivem em mar aberto), como os golfinhos-pintados-pantropicais.
Apesar de não ser a espécie mais encontrada no dia a dia de Noronha, o golfinho-pintado-pantropical é a quinta espécie de cetáceo mais avistada no arquipélago.
Os cetáceos mais vistos são o golfinho-rotador, a baleia-jubarte, o golfinho-nariz-de-garrafa e a baleia-piloto.
O Projeto Golfinho Rotador identificou grupos mistos de rotadores de Noronha e golfinhos-pintados nas áreas de alimentação, na região do chamado mar de fora (área voltada para a África) em 32 ocasiões, provavelmente com a função de proteção.
Os pesquisadores informaram que existe a possibilidade de cruzamento dos pintados com os rotadores, que são muito próximos geneticamente.
“Um subsídio a esta hipótese é a existência de um golfinho presumidamente híbrido entre golfinho-rotador e o golfinho-pintado-pantropical. Este híbrido foi avistado pela primeira vez ainda filhote, em agosto de 2000, e depois reavistado em 16 ocasiões até agosto de 2002”, informou Martins.
O projeto realiza trabalhos de pesquisa e monitoramento dos golfinhos em Fernando de Noronha desde 1990 e conta com apoio do Programa Petrobras Socioambiental.

Assista ao vídeo no g1

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