
27/04/2023
Quem passa pelos canais do sistema lagunar de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, e vê abundância de jacarés às margens não imagina a realidade desses animais em todo o complexo de lagoas da região. Especialistas afirmam que a única espécie existente no Sudeste do país, a papo-amarelo, corre o risco de extinção no estado por causa da crescente pesca e caça ilegal.
Desde o início do ano, ao menos oito jacarés foram encontrados mortos sem cabeça, com marcas de tiros ou presos a anzóis. A denúncia foi feita pelos biólogos Mário Moscatelli e Ricardo Freitas Filho. O caso foi registrado na DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente), que abriu inquérito para identificar os responsáveis pelas mortes.
"A situação é muito pior do que parece porque os dados dos animais mortos são subestimados. Muitos, quando feridos, não são encontrados porque se escondem em áreas do manguezal onde não temos condições de circular. Sem contar os que são levados pelos caçadores", afirmou Freitas Filho, fundador do Instituto Jacaré, no Rio.
Uma das hipóteses é a de que os animais, assim como capivaras e caranguejos, estejam sendo caçados para a comercialização.
"Para além do crime ambiental, existe um risco grave à saúde pública no consumo dessa carne. Ela é contaminada porque esses animais têm alto índice de metal pesado concentrado no corpo, principalmente toxinas de cianobactérias, ligadas à presença de esgoto na água. Ou seja, quem come também ingere esses metais", disse.
Esta reportagem pode ser lida na íntegra na Folha de S. Paulo
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