
27/04/2023
Pesquisadores da Fundação Florestal (FF) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estão mapeando onças-pintadas no Estado de São Paulo. Este trabalho dos especialistas é importante para a conservação dessa espécie, que é ameaçada de extinção.
Onça-pintada que morreu atropelada, na manhã do último domingo dia 23, já tinha sido vista pelas câmeras de monitoramento do Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP).
Pesquisadores nomearam esta onça-pintada como ´Sarado´ (imagem acima). Se trata de um macho, adulto, que pode pesar mais de 100 quilos. Além dele, uma parceria entre a FF e o ICMBio está mapeando as onças-pintadas em todo o Estado de São Paulo.
Participam deste mapeamento todas as onças que já foram identificadas no Pontal do Paranapanema, Contínuo de Paranapiacaba, Serra do Mar e Vale da Ribeira.
A pesquisadora da FF, Andrea Pires, em entrevista à TV Fronteira, explicou que o trabalho funciona como um de ´guia das onças´.
"Juntando informações, conhecimento, nós pensamos ´por que não fazer um guia das onças para o Estado de São Paulo?´. Porque cada onça tem como se fosse sua digital. Nós pensamos neste guia para auxiliar outros pesquisadores, que fizerem registros, ou até a população em geral, quando vai para o rio pescar e vê uma onça nadando ou uma onça em algum lugar do estado. A gente consegue ter essa identificação, porque traz informação para o monitoramento também", argumentou.
O mapeamento é feito através das rosetas, que são as pintas das onças. Funcionam como uma espécie de ´impressão digital´ destes animais. Cada uma delas tem a sua marca única e, assim, elas são batizadas com o nome e todas as suas informações vão sendo armazenadas.
O Chico, por exemplo, é um macho flagrado várias vezes pelas armadilhas fotográficas no Oeste Paulista e é acompanhado pelos pesquisadores desde filhote.
"Essas armadilhas captam essas imagens, a gente traz para o escritório, descarrega nos computadores e identifica as onças, dá um nome, batiza com a população, faz essa ação também. E cada uma delas a gente mapeia, roseta a roseta, para ter esse banco de dados grande de cada bicho, então a gente trabalha os dois lados, a cauda, o rosto, a cabeça, então tem esse perfil todo do animal para a gente poder identificar em qualquer ângulo que ele apareça", complementou a pesquisadora.
A cada 60 dias os pesquisadores mudam as câmeras de monitoramento de lugar, dentro da mata. Estas alterações colaboram para que os profissionais consigam entender como os animais ocupam a área.
No Parque Estadual do Morro do Diabo, a observação das onças-pintadas é feita em 40 pontos diferentes dentro da floresta.
O biólogo e monitor da biodiversidade, Fabrício Cecotti de Souza Maria, ressalta a importância do acompanhamento dos animais com as armadilhas fotográficas.
"Dá para saber se ela passou aqui em tal período, se ela passou nessa região em outro período, então a gente consegue fazer uma linha temporal e a ocupação destes animais aqui no parque. É bem interessante quando você faz a análise dessas imagens, a gente acaba pegando umas imagens muito legais, comportamentos que acho que só pela câmera a gente conseguiria observar”, disse o monitor.
"Tem o Chico, que a gente pegou ele desde filhote, acompanhando a mãe, e agora ele é adulto. Nas câmeras duplas, a gente conseguiu pegar mãe e filho adulto andando juntos, que é uma coisa um pouco rara", acrescentou Fabrício.
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