
02/05/2023
A economia circular é uma chave importante para enfrentar grandes problemas globais, como a poluição e as mudanças climáticas, e a transição do setor de alimentos para esse modelo é um dos que mais podem contribuir para ser a solução. Hoje, o sistema alimentar é o segundo maior emissor de gases de efeito estufa, após a geração de eletricidade, e a agricultura é responsável por 80% do desmatamento globalmente.
O estabelecimento de uma economia circular para os alimentos poderia reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 49% até 2050 (ou 5,6 bilhões de toneladas de equivalente de CO2 por ano) em comparação ao cenário atual. Diante desse cenário, empresas de alimentos e supermercados têm o poder de mudar o sistema atual através da reformulação dos seus produtos e portfólios.
De acordo com o relatório “O grande redesenho de Alimentos”, da Fundação Ellen MacArthur, as 10 maiores empresas de alimentos e supermercados poderiam transformar 40% da área agricultável no Reino Unido e Europa por meio da reformulação dos seus produtos a partir do ‘design circular’, que se trata da aplicação dos princípios da economia circular ao desenvolvimento de um produto alimentício, incluindo tipos de ingredientes utilizados, origem e método de produção e embalagem.
Além disso, o relatório também aponta que desenvolver os produtos alimentícios de maneira a apoiar a natureza pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 70%, e os impactos sobre a biodiversidade em 50%, comparado ao cenário atual.
Com base nesse estudo e buscando fortalecer e estimular a ação de atores do setor na América Latina, a Fundação Ellen MacArthur desenvolveu a série documental de 5 episódios “Design circular de alimentos – repensando produtos para regenerar a natureza” apresenta casos de empresas do Brasil e Colômbia que decidiram repensar os seus produtos e cadeias de suprimento para serem positivos para a natureza.
Os episódios, que ressaltam também características específicas dos biomas do Brasil e Colômbia, trazem casos de grandes empresas como Nespresso, Mãe Terra, Wickbold, Carrefour, além de inovadores.
Os exemplos apresentados trazem um ou mais aspectos do modelo de ‘design circular de alimentos’ proposto pela Fundação Ellen MacArthur. Isto é, os produtos apresentados utilizam ou desenvolvem ingredientes diversos (em termos de variedades e espécies de plantas e animais), que têm menor impacto sobre o ambiente, que são reciclados (provenientes de coprodutos alimentares), e produzidos de maneira regenerativa para a natureza.
A série também ressalta o papel dos varejistas de facilitar a entrada de produtos com essas características em suas prateleiras, para que ganhem a preferência do consumidor. “Os empresários têm um papel social e os negócios vão pedir essa mudança radical nos próximos anos”, afirma Pedro Wickbold, diretor da Wickbold, um dos entrevistados.
Para que o modelo de design circular para alimentos atinja seu potencial máximo e gere os benefícios positivos esperados para o sistema de alimentos, é preciso que todos os seus aspectos sejam combinados. Isto é, que os produtos tenham ingredientes que sejam produzidos regenerativamente, reciclados, de menor impacto e diversificados.
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