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Campanha pede que as pessoas parem de cortar a grama

09/05/2023

Entre todas as atividades da jardinagem, cortar a grama pode ser a mais cansativa e é inclusive comum pagar para que alguém faça isso. A verdade é que além de cansativo (e muitas vezes chato) a tarefa de manter a grama sempre aparada pode ser um problema para a biodiversidade do seu jardim – e da sua cidade. E é por isso que cientistas da Plantlife, uma instituição internacional pela conservação da natureza, lançaram a campanha “Maio sem Corte”, ou “No Mow May”.
A campanha acontece todos os anos na Inglaterra e pode servir de inspiração para outros países. A ideia é que durante o mês de maio as pessoas deixem a grama, “matinhos”, flores e outras plantas do quintal crescerem livremente – numa tentativa de promover a biodiversidade e garantir um bom habitat para insetos e outras espécies.
“Perdemos quase 97% dos campos ricos em flores desde a década de 1970 e com eles se foram os alimentos vitais necessários aos polinizadores, como abelhas e borboletas”, explicam os idealizadores.
Ao permitir que os espaços verdes cresçam, as plantas fornecem alimento e abrigo para a vida selvagem e podem sequestrar melhor o carbono. A instituição calcula que existam mais de 20 milhões de jardins no Reino Unido e “mesmo os menores trechos de grama somam uma proporção significativa de terra que, se manejada adequadamente, pode gerar enormes ganhos para a natureza, para as as comunidades e para o clima”.
Ainda de acordo com a Plantlife, os gramados no Reino Unido são cortados até 30 milhões de vezes por ano , o que equivale a 45 milhões de litros de combustível gastos e 80 mil toneladas métricas de emissões de carbono. Cortar menos a grama pode promover a biodiversidade e permitir que as plantas estabeleçam suas raízes, aumentando o potencial de armazenamento de carbono em até 10%.
O mês de maio foi escolhido para a campanha por fazer parte da primavera e ter dias mais quentes, já que o verão europeu se aproxima. “Adiar o corte em maio não apenas aumenta as flores silvestres da primavera, mas também permite que as pessoas tenham um pouco mais de tempo para desfrutar das áreas verdes e se conectar com a natureza”, disse Sarah Shuttleworth, consultora ecológica sênior da Plantlife.
“Ao invés de cortar a grama, podemos experimentar outras atividades, mais amigáveis ​​à vida selvagem, como construir um hotel para insetos, instalar um lago de vida selvagem ou simplesmente admirar a beleza das fauna e da flora”, aconselha a consultora.
Este é o quinto ano da campanha e, depois que maio terminar, o corte de grama seja repensado. Além de diminuir o número de cortes e a quantidade de grama cortada, uma dica é intercalar gramado com áreas de plantas mais baixas e mais altas, mantendo a biodiversidade presente o ano inteiro.
Apesar do Brasil não ter uma campanha como esta, quem aprova a ideia pode escolher um mês para deixar as plantas do jardim crescerem e repensar os cuidados com as áreas verdes que temos nas cidades.

Fonte: CicloVivo

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