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Projeto pede mais bicicletários nas periferias de São Paulo

09/05/2023

Muito mais do que estacionamentos de bicicletas, os bicicletários funcionam como um espaço que facilita o deslocamento pela cidade, promovendo a integração entre diversos modais e, por consequência, melhorando a qualidade de vida para quem pedala e para todos que vivem e se deslocam por vias urbanas.
Para levar estes espaços até as periferias de São Paulo, aumentando o número de vagas nos bicicletários e criando um modelo social que atenda às demandas dos territórios, o Instituto Aromeiazero lançou o projeto “Mais Bicicletários”. A proposta é implementar um bicicletário próximo à estação de alta capacidade em área com altos índices de vulnerabilidade.
Por acreditar que os bicicletários podem ser muito mais que estruturas simples de estacionamento, mas sim fonte de convivência, renda, trocas e cultura, o Instituto Aromeizero buscou mapear, ativar e mobilizar a sociedade e o poder público. Sendo assim, entre 2021 e 2022 foram feitas ações em duas fases.
A fase 1 foi denominada de “Estudo Territorial”, com diversas visitas e diálogos nos quatro territórios prioritários e periféricos elencados pela pesquisa “Bicicletário Modelo” da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade) junto a experiência do Instituto: Guaianazes, Capão Redondo, Santo Amaro e S. Mateus.
A fase 2 de “Mobilização e Ativação” incluiu diversas ações: encontro de ciclistas para troca de experiências e conhecimento; mulheres ensinando outras mulheres a pedalar; oficinas de mecânica básica das bikes; pedal pela Av. dos Metalúrgicos, reivindicando a volta da ciclofaixa; ciclo de debates; e a abertura de um edital, que selecionou o Bike Zona Sul para desenvolver um conjunto de conteúdos de debate sobre o estacionamento seguro de bicicletas.
Essas ações foram realizadas na segunda fase do projeto. Ao longo dessas fases também foram realizados diversos diálogos com agentes públicos e gestores de bicicletários para constituição de um modelo sustentável, a ser apresentado nas próximas fases.
Diferente de outros meios de transporte, a bicicleta promove a mobilidade sustentável, a saúde, a geração de renda. Com uma logística urbana adequada, é possível que a bicicleta seja usada em trajetos curtos ou em trajetos mais longos, a partir da integração com outros modais, como o transporte público de alta capacidade (trem, metrô, monotrilho, terminais de ônibus urbanos).
Esta integração com outros modais é justamente a intermobilidade, conceito diz respeito à utilização de mais de um modal de transporte na mesma solução logística. No contexto das grandes cidades, a diversidade de transportes coletivos interconectados privilegia deslocamentos mais sustentáveis.
“Um dos nossos objetivos é promover a intermodalidade, geração de renda para a população local e descarbonização da região. Para a promoção de uma mobilidade urbana sustentável, insere-se a importância de compreender o pedestre, o ciclista e o usuário de transporte coletivo no centro do planejamento da rede, buscando a priorização e integração de modais que possibilitem a intermodalidade e a garantia de políticas públicas destinadas a esses usuários.”, comenta Heloisa Ribeiro, coordenadora do Instituto Aromeiazero.
O que diferencia um bicicletário de um simples estacionamento para bicicletas é que, para ser considerado um bicicletário, o espaço precisa ser dotado de zeladoria presencial ou eletrônica, podendo ser um serviço com ou sem custo. A bike não pode ficar desassistida.
Na cidade de São Paulo, foi estabelecido pela Lei SICLO (Lei nº16.885/2018) e pelo Plano de Mobilidade (PlanMob 2015) a meta do município em cumprir, até 2024, a implantação de bicicletários em todas as estações e terminais de transporte coletivo. Esse desafio é reforçado pelo Plano de Metas (2021-2024), feito pela Prefeitura de São Paulo, que insere como meta implantar bicicletários em todos os terminais urbanos de ônibus municipais. Porém, a cidade está longe de atingir esse objetivo.
Nesse momento de crise do transporte público, aumentar o número de bicicletários é importante não só para quem pedala, mas para toda a cidade. Combinar serviços e encontrar soluções a partir do território é o caminho que o Aro está ajudando a traçar para a nova fase do Mais Bicicletários em 2023.

Para saber mais sobre o trabalho do Instituto Aromeiazero acesse CicloVivo

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