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Estudo encontra associação entre poluição do ar e maior risco de arritmias cardíacas

16/05/2023

A poluição atmosférica aumenta o risco de apresentar arritmias cardíacas, de acordo com um estudo conduzido em mais de 300 cidades na China.
Esse risco é ainda maior nas primeiras 24 horas após a exposição à poluição atmosférica, mas ele diminui com o tempo, indicando também que a mudança de ambiente para um local menos poluído pode ajudar a recuperar o dano.
O estudo usou dados da Associação Cardiovascular Chinesa e foi publicado na segunda dia 1° na revista especializada Cmaj (Canadian Medical Association Journal).
A pesquisa analisou seis tipos de poluentes diferentes e o aparecimento de quatro tipos de condição associados a arritmias cardíacas. Concentrações de poluentes foram analisadas em µg/m3 (microgramas por metro cúbico) para os seguintes compostos: dióxido de nitrogênio (NO2), ozônio (O3), monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO2) e dois tipos de materiais particulados de dimensão 2,5 (PM2,5) e 10 (PM10), que são encontrados na atmosfera e podem causar danos aos pulmões.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda uma concentração máxima de 5 µg/m3 de poluente PM2,5 e 15 µg/m3 de PM10 por dia. Para os demais, são considerados níveis adequados de qualidade do ar 25 µg/m3 de NO2, 40 µg/m3 de SO2, 7 µg/m3 de CO e 100 µg/m3 de O3 (a cada 8 horas).
A concentração média diária registrada das substâncias foi de 34,4 µg/m3 (PM2,5), 25,5 µg/m3 (PM10), 27,5 µg/m3 (NO2), 8,9 µg/m3 (SO2), 0,7 µg/m3 (CO) e 59 µg/m3 (O3).
Já os quatro tipos de arritmia primária incluídos na pesquisa foram fibrilação atrial (alterações na frequência dos batimentos do coração), flutter atrial (semelhante à fibrilação, com a diferença que ele é menos organizado, com um fluxo mais desconexo), batimentos prematuros (ventriculares ou atriais) e taquicardia supraventricular.
Para avaliar qual a associação entre os poluentes e os sintomas cardiovasculares, os autores compararam 190.115 pacientes que tiveram atendimento médico por arritmias em 322 cidades com outros participantes que não tinham sintomas no período de 2015 a 2021.
Como a concentração de poluentes do ar também depende de condições meteorológicas e de horário (a hora de rush possui maior liberação de poluentes comparado com o período da madrugada), os pesquisadores registraram o horário de início dos sintomas de cada paciente e compararam com dados do mesmo horário ou dia (até três dados foram usados para cada paciente) que não tiveram um sintoma cardíaco.
Por exemplo, se um paciente deu entrada em um hospital às 7h do dia 9 de novembro, os cientistas usaram como grupos controles dados de pacientes dos dias 16, 23 e 30 de novembro no mesmo horário (7h).
No total, foram registrados:

➥ 96.133 casos de fibrilação atrial;
➥ 5.300 de flutter atrial;
➥ 41.613 de batimentos prematuros;
➥ 47.069 de taquicardia supraventricular no período.
O risco de desenvolver arritmias em relação à exposição aos poluentes NO2, SO2 e CO foi o mais elevado, com aumento de incidência de 1,7% a 3,4% de fibrilação atrial, 8,1% a 11,4% de flutter atrial e 3,4% a 8,9% de taquicardia supraventricular.
A exposição aos materiais particulados tanto PM2,5 quanto PM10 esteve associada a uma incidência significativamente maior de flutter atrial (8,7%) e taquicardia supraventricular (8,7%), enquanto o ozônio esteve associado ao maior risco de taquicardia (3,4%). Não houve uma associação significativa quanto aos batimentos prematuros com a exposição aos poluentes.

Termine de ler esta matéria acessando a Folha de S. Paulo

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