
18/05/2023
Em frente ao prédio do Ministério Público estadual, no Centro do Rio, um homem em situação de rua carrega equipamentos que chamam a atenção. Ao lado do carrinho em que guarda objetos pessoais, há três placas para captação de energia solar. Elas ficam sobre uma estrutura improvisada de isopor, apontadas para o céu. Conectadas a elas, celulares. Descendente de japoneses, Mario Nishimura, de 44 anos, vive nas ruas do Rio há nove anos. E conserta aparelhos ali mesmo, na calçada, com energia que ele próprio gera, sem cobrar pelos seus serviços.
"Encomendei essas placas de energia solar pela internet, a 33 dólares cada. Pedi para que fossem entregues no endereço de um conhecido, que as recebeu e me entregou. Precisei fazer isso porque não há disponibilidade de locais públicos com fornecimento de energia elétrica", diz Nishimura, que nasceu em São Paulo.
Com a energia que gera com as placas, faz reparos em celulares. Ele sobrevive com a renda de benefício do governo federal e diz que não cobra pelos seus serviços: "Foi assim que decidi, porque as pessoas que trabalham com isso cobram muito caro. Quero poder ajudar as pessoas".
Funcionário da portaria do MP, José Carlos Monteiro, de 54 anos, foi um dos que precisaram de seus serviços. Ele conta que seu aparelho tinha apagado, não mostrava nenhuma imagem na tela e, quando o fazia, os ícones apareciam desfocados. Ao observar Nishimura montando e desmontando equipamentos eletrônicos diariamente, resolveu entregar-lhe o celular.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Dia
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