
18/05/2023
Comecemos pela má notícia. As duas espécies de café que a maioria de nós tomamos —Arábica e robusta— correm risco grave nesta era de mudança climática.
Vamos agora à boa notícia. Agricultores de um dos principais países africanos exportadores de café estão cultivando uma variedade inteiramente nova que resiste melhor ao calor, à seca e às doenças que o aquecimento global vem agravando.
Durante anos eles vêm apenas misturando essa variedade em sacos de café robusta, mais barato. Este ano, estão tentando vendê-la ao mundo sob seu nome verdadeiro: Liberica excelsa.
"Mesmo quando o calor é excessivo, essa variedade se dá muito bem", disse Golooba John, que cultiva café perto da cidade de Zirobwe, na região central de Uganda. Nos últimos anos, à medida que seus pés de robusta foram sucumbindo a pragas e doenças, ele os foi substituindo por pés de Liberica. Hoje John tem mil pés de Liberica e apenas 50 de robusta em seu cafezal de 2,5 hectares.
Ele também toma o café Liberica. Diz que é mais aromático que o robusta, "mais saboroso".
Catherine Kiwuka, especialista em café na Organização Nacional de Pesquisa Agrícola, descreveu a Liberica excelsa como uma espécie de café que não tem recebido a atenção que merece. Ela faz parte de um experimento para apresentar o café Liberica ao mundo.
Se o experimento funcionar, pode encerrar lições importantes para pequenos produtores de café em outras partes do mundo, demonstrando a importância das variedades silvestres em um mundo em processo de aquecimento. A Liberica excelsa é nativa da África central tropical. Foi cultivada brevemente no final do século 15 e depois desapareceu. Então chegaram as devastações da mudança climática. Produtores trouxeram a Liberica de volta.
"Diante da mudança climática, faríamos bem em pensar em outras espécies que sejam capazes de conservar a indústria do café funcionando globalmente", disse Kiwuka.
No momento, o objetivo é cultivar Liberica excelsa de alta qualidade para exportação.
A Volcafe, uma empresa global de comércio de café, espera exportar até três toneladas este ano para torrefadores especializados no exterior, incluindo no Reino Unido e Estados Unidos.
Embora a Arábica e a robusta sejam as duas espécies de café mais cultivadas no mundo, há mais de cem espécies que crescem na natureza. Uma variedade de Liberica é cultivada há um século no sudeste asiático.
Outra variedade é a Liberica excelsa, que é nativa de áreas de baixada em Uganda. Em comparação com a robusta, que também é nativa de Uganda e é a espécie dominante cultivada na região, a Liberica leva mais tempo para amadurecer e produzir frutos.
Os cafezeiros Liberica atingem alturas bem maiores que os da espécie robusta. Cada árvore pode chegar a oito metros de altura, de modo que os produtores precisam subir escadas de bambu para fazer a colheita. Ou então têm que podar as árvores para que os galhos cresçam lateralmente, não verticalmente.
Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo
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