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O que é Descarte Correto?

18/05/2023

Você já pensou que a garrafa de azeite da sua casa pode ter sido feita com cacos de vidro de um pote de palmito que você já consumiu? Pois é, quando o descarte correto acontece, abrimos a possibilidade para que o que já foi seu, retorne para suas mãos como um novo produto.
Essa lógica faz parte de um conceito mais amplo: o da economia circular, onde, como em todo círculo, não existe começo, meio ou fim. Tudo se retroalimenta de maneira contínua. Você descarta corretamente, um agente reciclador coleta, beneficia e recicla. Essa matéria-prima volta para a indústria, onde poderá ser aplicada em produtos tradicionais ou superinovadores.
No Brasil, ainda temos índices de reciclagem extremamente baixos: cerca de 4%, segundo a Agência Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE). Países vizinhos como Argentina e Chile – ou até mesmo os mais distantes, como África do Sul e Turquia, contam com taxa de 16%, ou seja, quatro vezes maior que a nossa.
O que muda de lá pra cá? Acredito que parte dessa diferença esteja na baixa adesão que nós brasileiros temos ao descarte correto. E hoje quero compartilhar com você cinco atitudes essenciais para cooperarmos com este ciclo.
É fundamental que no ato da compra diminuamos a geração de lixo, substituindo os itens de uso único, como canudos, copos descartáveis e sacolas, por itens duradouros. Independente se ele é de plástico, papel ou mental, a durabilidade ou reaproveitamento deve ser um fato decisório.
É importante lembrar que nem todos os materiais conseguem ser reciclados e que outros, apesar de serem recicláveis, enfrentam mais desafios, por suas características de mercado (baixo valor de venda) ou físicas (disponibilidade de tecnologia ou de indústrias distribuídas pelo país).

1. Mais reciclados: alumínio (latinhas), plástico PET (garrafas), plástico PP (tampinhas de garrafas, cadeiras, brinquedos), plástico PEAD (sacolas, embalagens de produtos de limpeza), plástico PEBD (sacos de alimentos);
2. Médio reciclados: vidros (garrafas, potes e copos), aço (latas de leite condensado);
3. Menos reciclados: isopor grosso (que vem protegendo equipamentos como geladeira e Televisão), embalagem longa vida (caixa de laticínios), PVC (tubos e conexões, sandália plástica);
4. Quase ou não reciclados: isopor fino (marmitas e bandeja), plástico flexível (sacos de salgadinho, biscoito e molho de tomate).

Além disso, se for necessária a embalagem (já que muitos itens do dia a dia como comida, produtos de higiene pessoal e limpeza vem embaladas), se faz necessário escolher a que tem mais chances de ser reciclada.
Você só precisa ter três coletores em sua casa: um para orgânicos, que devem ser direcionados preferencialmente para compostagem; um de rejeito, que deve ser coletado pelo caminhão de lixo; e outro para todos os recicláveis. Precisamos criar o ritual de ao consumir um produto que venha em embalagem, higienizá-lo, quando necessário, e depositar em um saco apenas com os resíduos “secos”.
Procure uma iniciativa que receba seus materiais recicláveis, seja coletando na porta da sua casa, como o reciclofortaleza.com.br e o institutomuda.com.br ou pontos que você entrega, como o coletando.org e o somosasoma.com.br. Cooperativas também podem ser um ótimo caminho para que seu condomínio ou empresa dê uma destinação adequada e ainda contribua para a maior profissionalização e inclusão econômica desses trabalhadores.
Se você chegou até aqui, desafio você a aproveitar a inspiração de 17 de maio, quando se celebra o Dia Nacional da Reciclagem, e o dia 05 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, para aderir ao descarte correto e colaborar nessa transformação.
Este artigo foi escrito por Saville Alves, cofundadora da SOLOS, startup de impacto que transforma a economia circular em presença na vida das pessoas, dos territórios e de marcas. Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em comunicação social, sua militância iniciou a partir das experiências na universidade pública, quando atuou como uma das principais lideranças em movimentos de jovens empreendedores. Essas vivências levaram Saville a atuar no mercado em empresas como Braskem S.A. e Oi S.A, e no terceiro setor nas ONGs TETO e ARCAH. Essa pluralidade de percepções gerou um olhar que busca harmonia e levou Saville a ser eleita pela Forbes uma das 20 mulheres mais inovadoras das Ag Techs. A jovem empreendedora tem um mantra que leva para toos os seus projetos: “Eu sonho, eu crio, eu faço acontecer”.

Fonte: CicloVivo

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