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Metade dos maiores lagos e reservatórios do mundo está secando, mostra estudo

23/05/2023

Mais da metade dos maiores lagos e reservatórios do mundo está encolhendo e colocando em risco a segurança hídrica da humanidade. As mudanças climáticas e o consumo insustentável são os principais culpados, segundo um estudo acadêmico publicado nesta quinta-feira.
— Os lagos estão em perigo em todo o mundo e isso tem implicações em grande escala — disse à AFP Balaji Rajagopalan, professor da universidade americana Colorado Boulder e coautor do estudo, publicado na revista científica Science.
— Realmente chamou nossa atenção que 25% da população mundial vive em bacias de lagos que estão em tendência de encolhimento — continuou ele, o que significa que cerca de 2 bilhões de pessoas são afetadas diretamente pelas descobertas.
Ao contrário dos rios, que tendem a monopolizar a atenção científica, os lagos não são bem monitorados, apesar de sua importância crítica para a segurança da água, disse Rajagopalan.
No entanto, catástrofes ambientais em grandes massas de água, como o Mar Cáspio e o Mar de Aral, sinalizaram aos pesquisadores a existência de uma crise maior.
Para estudar a questão de forma sistemática, a equipe, que incluiu cientistas dos Estados Unidos, França e Arábia Saudita, analisou os 1.972 maiores lagos e reservatórios da Terra, usando observações de satélite entre 1992 e 2020.
Eles se concentraram nos maiores corpos de água doce devido à maior precisão dos satélites de grande escala, bem como à sua importância para os seres humanos e a vida selvagem.
Seu conjunto de dados combinou imagens do Landsat, o programa de observação da Terra mais antigo, com a altura da superfície da água adquirida por altímetros de satélite, para determinar como o volume dos lagos variou ao longo de quase 30 anos.
Os resultados: 53% dos lagos e reservatórios sofreram uma diminuição no armazenamento de água, a uma taxa de aproximadamente 22 milhões de toneladas por ano.
Durante todo o período de estudo, foram perdidos 603 quilômetros cúbicos de água, 17 vezes a água do Lago Mead, o maior reservatório dos Estados Unidos.
Para descobrir o que causou esses fenômenos, a equipe usou modelos estatísticos que incorporavam tendências climáticas e hidrológicas e distinguiam fatores naturais daqueles de origem humana.
No caso dos lagos naturais, grande parte da perda líquida foi atribuída ao aquecimento climático e ao consumo humano de água.
O aumento das temperaturas causado pelas mudanças climáticas favorece a evaporação, mas também pode reduzir a precipitação em alguns lugares.

Fonte: O Globo

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