
23/05/2023
"Uma coisa surreal que jamais achei que veria", pensou o técnico em segurança eletrônica Tales Oliveira, de 27 anos, ao avistar um ponto branco se movimentando entre as pedras em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, na manhã de 30 de março deste ano.
Oliveira estava perto da janela de casa, junto com um amigo, quando avistou o que pensou ser uma onça-parda branca, um animal raríssimo, andando em uma área de proteção ambiental.
"Resolvi pegar um binóculo e começamos a observar", diz Tales, que cresceu na região de Petrópolis e ouviu desde pequeno sobre onças vivendo por ali —mas nunca tinha visto nenhuma.
Poucas semanas depois, outro morador da região também fez registros que acreditava ser do mesmo animal.
Supostamente, seria uma onça-parda com uma condição genética rara que deixa a maior parte da pelagem branca.
Há quase dez anos, um animal com essas características foi visto pela primeira vez no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso), em uma região da Mata Atlântica.
Ele foi avistado outras três vezes nos meses seguintes, mas, depois, nunca mais foi localizado.
Os registros recentes foram avaliados por pesquisadores, que apontaram que as imagens não são da onça rara.
No caso das fotografias feitas por um morador, a onça na verdade era um gato.
Já no vídeo de Tales, não foi possível confirmar qual era o animal, porque a imagem era de baixa qualidade.
Com isso, o paradeiro atual da onça raríssima permanece incerto.
O leucismo é a condição por trás da pelagem branca dessa onça-parda.
O primeiro registro do animal — um macho que tinha por volta de 2 anos de idade na época — foi feito em julho de 2013 por armadilhas fotográficas no Parnaso.
Não havia, até então, nenhum outro caso confirmado dessa característica genética entre onças-pardas. Essa condição já havia sido identificada em outros felinos, como tigres e leões.
O leucismo se caracteriza pela ausência de melanina na pelagem, que fica completamente clara por causa disso.
"O albinismo, por exemplo, é a perda completa da pigmentação do animal, já o leucismo é a perda da pigmentação apenas na pelagem. É uma coisa muito rara", diz o biólogo Lucas Gonçalves, que estuda o tema.
A reportagem completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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