
25/05/2023
A França proibiu voos domésticos curtos que podem ser substituídos por uma viagem de trem existente. A iniciativa é uma tentativa de reduzir as emissões de carbono.
A lei entrou em vigor dois anos depois que os parlamentares votaram pelo fim das rotas em que a mesma viagem poderia ser feita de trem em menos de duas horas e meia.
A proibição praticamente acaba com as viagens de avião entre Paris e cidades como Nantes, Lyon e Bordeaux —voos de conexão, no entanto, não são afetados.
Os críticos descreveram as medidas como "proibições simbólicas".
Laurent Donceel, chefe interino da associação de companhias aéreas A4E (Airlines for Europe), disse à agência de notícias AFP que "a proibição desses voos terá apenas efeitos mínimos" na emissão de CO2. Ele acrescentou que os governos deveriam apoiar "soluções reais e significativas" para o problema.
Companhias aéreas do mundo todo foram duramente atingidas pela pandemia de Covid-19. De acordo com o site Flightradar24, que monitora dados de voos ao redor do mundo, o número de voos no ano passado caiu quase 42% em relação a 2019.
O governo francês havia enfrentado uma pressão para introduzir regras ainda mais rígidas.
A chamada Convenção dos Cidadãos sobre o Clima da França, que foi criada pelo presidente Emmanuel Macron em 2019 e incluiu 150 membros da sociedade, havia proposto a proibição de voos com trajetos que poderiam ser feitos em menos de quatro horas de trem.
No entanto, a duração foi reduzida para duas horas e meia após objeções de algumas regiões, assim como da companhia aérea Air France-KLM.
O grupo francês UFC-Que Choisir, que defende o direito dos consumidores, também chegou a pedir aos legisladores que mantivessem o limite de quatro horas.
"Em média, o avião emite 77 vezes mais CO2 por passageiro do que o trem nessas rotas, embora o trem seja mais barato e o tempo perdido seja limitado a 40 minutos", afirmou.
Também pediu "salvaguardas para que a [ferrovia nacional francesa] SNCF não aproveite a oportunidade para inflacionar artificialmente os preços ou degradar a qualidade do serviço ferroviário".
Fonte: Folha de S. Paulo
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