
25/05/2023
A implantação de aviões a hidrogênio na Europa exigirá investimentos de 300 bilhões de euros (R$ 1,65 trilhão) e um imposto sobre os combustíveis tradicionais para aviação, segundo um novo estudo de um grupo de energia limpa, mostrando a escala do desafio para os formuladores de políticas na adoção da aviação "verde".
A Airbus, maior fabricante de aviões do mundo, disse que pretende lançar uma aeronave movida a hidrogênio com emissão zero até 2035, mas alertou sobre o ritmo de desenvolvimento da infraestrutura necessária.
O estudo publicado pela ONG T&E (Transport & Environment) na segunda-feira (22) concluiu que o custo de desenvolvimento da cadeia de suprimentos de hidrogênio na Europa seria de 299 bilhões de euros entre 2025 e 2050, em grande parte composto pelo custo de produção, liquefação e distribuição de hidrogênio verde.
O alto custo tornaria os aviões a hidrogênio 8% mais caros que os aviões movidos a jato em 2035, a menos que o querosene fosse tributado, estimou.
Se o combustível de aviação fosse tributado e se adotasse um preço para as emissões de carbono, entretanto, os aviões a hidrogênio poderiam ser 2% mais baratos de operar, segundo o estudo.
A pesquisa considerou um preço de carbono de 127 euros (R$ 700) por tonelada de dióxido de carbono até 2035. O preço do carbono hoje é de pouco menos de 85 euros (R$ 467) por tonelada, depois de atingir um pico de pouco mais de cem euros (R$ 535) a tonelada em fevereiro, no sistema da bolsa da União Europeia que permite às empresas negociar licenças de emissão de carbono.
A taxação do querosene ainda não foi introduzida, mas o grupo T&E baseou seus cálculos para uma taxa alinhada às atuais propostas apresentadas pela Comissão Europeia, que estimam um imposto de cerca de 0,37 euros (R$ 2) por litro. O preço do combustível de aviação, que acompanha aproximadamente o petróleo bruto, é hoje cerca de 0,55 euros (R$ 3) por litro.
"Se quisermos que a Airbus faça o que diz, precisaremos criar um mercado para aeronaves de emissão zero, tributando o combustível fóssil para aviação e exigindo aviões de emissão zero no futuro", disse Carlos López de la Osa, gerente técnico de aviação da T&E.
A Airbus disse estar "comprometida em trazer ao mercado a primeira aeronave comercial movida a hidrogênio até 2035, mas a tributação não é a solução para chegar lá".
"Os incentivos que promovem o investimento em tecnologias e infraestrutura, bem como a precificação do carbono e medidas baseadas no mercado, fornecem uma maneira mais econômica de produzir a redução necessária nas emissões da aviação", acrescentou.
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