
25/05/2023
Um estudo inédito realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que o Espírito Santo é o estado do Brasil com maior impacto na frequência dos eventos extremos de temperatura do ar na costa do país. Somente nos últimos 40 anos, o estado quase triplicou (188%) a frequência das ondas de calor.
O estudo avaliou uma série histórica com dados de temperatura do ar observados a cada hora do dia ao longo dos últimos 40 anos em cinco regiões costeiras do país. São elas:
◆ São Luís (MA)
◆ Natal (RN)
◆ São Mateus (ES)
◆ Iguape (SP)
◆ Rio Grande (RS)
A partir dos dados coletados, pesquisadores do Instituto do Mar (IMar/Unifesp) envolvidos na pesquisa utilizaram modelos matemáticos para definir o que seriam extremos de temperatura para cada uma das regiões.
Uma das conclusões do estudo é o aumento da frequência de ocorrências de eventos extremos de frio e calor no Espírito Santo, por exemplo.
Além disso, o estado tem apresentado aumento na intensidade da variação térmica diária (diferença entre temperaturas mínima e máxima do dia), o que significa que é cada vez mais frequente encontrar dias cada vez mais variáveis na temperatura.
A pesquisa demonstra que está se tornando mais frequente encontrar temperaturas cada vez mais altas na costa Sudeste e Sul do país.
Nos litorais do Espírito Santo, Rio Grande do Sul e de São Paulo, a frequência de ocorrências diárias de extremos máximos de temperatura e das ondas de calor, caracterizada por dias consecutivos de extremos máximos de temperatura, também tem aumentado ao longo dos anos. Além disso, a frequência de ocorrências diárias e de eventos de ondas de frio no Espírito Santo tem aumentado.
"Identificamos o litoral do ES como a região mais afetada entre as que estudamos, pois além das ondas de calor, foi a única região onde a frequência de ondas de frio é cada vez maior", explicou o autor da pesquisa e pós-doutorando pelo IMar/Unifesp, Fábio Sanches.
Nos últimos 40 anos, enquanto que a ocorrência de eventos extremos de temperatura quase triplicou no Espírito Santo (188%), ela quase dobrou em São Paulo (84%) e dobrou no Rio Grande do Sul (100%).
O estudo mostrou ainda que o número de eventos por ano é variável, dependendo de condições específicas, como os fenômenos El Niño e La Niña. No entanto, a taxa de aumento de eventos extremos do Espírito Santo é, em média, de 4,7% ao ano, enquanto que em São Paulo é, em média, de 2,1% e, no Rio Grande do Sul, de 2,5% ao ano.
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