
25/05/2023
A mata atlântica se destaca pela alta proporção e pelo número maior de espécies de plantas e animais ameaçadas de extinção na comparação com outros biomas.
A conclusão é de uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (24) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De um total de 11,8 mil espécies avaliadas pelo levantamento na mata atlântica, 24,1% estavam ameaçadas de extinção em 2022. O percentual equivale a 2.845 espécies em risco. O cálculo considera fauna e flora em conjunto.
Tanto a proporção (24,1%) quanto o número absoluto (2.845) superam os resultados dos outros seis biomas que aparecem na pesquisa, batizada como Contas de Ecossistemas: Espécies ameaçadas de extinção no Brasil.
O levantamento compara os dados de 2022 com os da edição anterior, referente a 2014. Naquele ano, de um total de 9.042 espécies avaliadas na mata atlântica, 22,3% (2.016) estavam ameaçadas de extinção.
"Entre os biomas, a mata atlântica se manteve com o maior número de espécies avaliadas (11.811), a maior quantidade de espécies ameaçadas (2.845) e o maior número de espécies extintas, que subiu de 7 para 8, com a inclusão da Perereca-gladiadora-de-sino (Boana cymbalum)", disse o IBGE.
Para Leonardo Bergamini, coordenador da pesquisa do instituto, o resultado pode ser associado em parte ao histórico de ocupação da mata atlântica.
"O desmatamento culmina na ameaça às espécies. É de se esperar que seja o bioma mais ameaçado por esse impacto", afirma.
O pesquisador também associa os números ao conhecimento maior sobre as características da mata atlântica e das suas espécies.
"A mata atlântica é o bioma onde estão localizados os principais centros de pesquisa do país, com maior histórico de pesquisa. Até por isso a gente conhece melhor as espécies da mata atlântica. Existe mais pesquisa em cima dela", avalia.
Bergamini afirma ainda que o bioma possui "uma diversidade grande de fisionomia e de relevo". "Existem muitas espécies de distribuição restrita na mata atlântica, que são mais vulneráveis a esses impactos", acrescenta.
De acordo com o IBGE, o cerrado teve o segundo maior número absoluto e o segundo maior percentual de espécies ameaçadas em 2022.
Nesse bioma, 1.199 espécies estavam em risco. O dado equivale a 16,2% de um total de 7.385 plantas e animais avaliados.
Em números absolutos, a Amazônia aparece em terceiro lugar da lista. Em 2022, o bioma tinha 503 espécies ameaçadas. O dado representa 6% de um total de 8.346 avaliadas no bioma.
No recorte proporcional, é a caatinga que aparece em terceiro lugar. Em 2022, quase 15% das espécies avaliadas estavam ameaçadas –o equivalente a 481 de um total de 3.220.
O Pantanal, por sua vez, é o bioma com o menor número absoluto (74) e o percentual mais baixo de espécies em risco (4,1% de um total 1.826 em análise).
Segundo o IBGE, atualmente são reconhecidas no Brasil 50,3 mil espécies de plantas e quase 125,3 mil de animais.
Dentro desse universo, os números avaliados pelo instituto aumentaram de 2014 para 2022. No caso da flora, a proporção em análise passou de 9% (4.304) para 15% (7.517). Na fauna, saiu de 10% (12 mil) para 11% (13,9 mil).
Em termos absolutos, o número total de espécies de plantas ameaçadas de extinção cresceu em torno de 57,3% de 2014 para 2022 (de 2.039 para 3.207). No caso dos animais, a alta foi menor, de 7% (de 1.171 para 1.253).
A proporção de espécies ameaçadas, contudo, mostrou queda tanto na flora (de 47,4% para 42,7%) quanto na fauna (de 9,8% para 9%). O IBGE ponderou que parte dessa redução proporcional pode ser explicada pelo aumento no número de espécies avaliadas até 2022.
Veja a situação da fauna e da flora da Mata Atlântica clicando na Folha de S. Paulo
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