
30/05/2023
A ONU aprovou a candidatura do Brasil para sediar a COP30 do clima, conferência de mudanças climáticas da ONU que negocia a implementação do Acordo de Paris, aprovado em 2015. Previsto para novembro de 2025, o evento deve acontecer em Belém, no Pará.
A informação foi divulgada na última sexta-feira dia 26 pelo presidente Lula, em um vídeo junto ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o governador do Pará, Helder Barbalho.
A aprovação das Nações Unidas aconteceu no último dia 18, através de um comunicado do Grulac (grupo dos países da América Latina e Caribe), que endossou a candidatura brasileira para sediar a COP30.
A decisão aguardava a aprovação do Grulac, já que a COP30 estava prevista para acontecer em um país da região latino-americana. O endosso cita a cidade de Belém.
Embora tenha sido oficializada há uma semana, a aprovação do Brasil para sediar a COP-30 foi comunicada apenas nesta sexta-feira pelo governo brasileiro, em meio a uma crise na política ambiental do governo, que colocou Lula e Barbalho em um polo oposto ao do Ministério do Meio Ambiente.
A tensão foi iniciada no último dia 17, quando o Ibama indeferiu pedido da Petrobras de perfuração de poço de petróleo na foz do Amazonas. Dois dias antes, o governador do Pará havia defendido a exploração de petróleo na região, sugerindo que a transição energética para fontes renováveis de energia pudesse acontecer daqui a 50 anos.
"O Brasil vai abrir mão disso [exploração de combustíveis fósseis] pelas próximas décadas? Talvez seja uma discussão que a gente possa fazer daqui a 50 anos. Mas neste momento o Brasil tem condição de abrir mão de uma oportunidade de exploração sustentável de combustível fóssil?", questionou Barbalho em evento com empresários.
Segundo o painel do clima da ONU, o mundo precisa derrubar as emissões de gases-estufa, cuja principal fonte são os combustíveis fósseis em 55% até o final da década, zerando as emissões líquidas nos próximos 30 anos.
Lula, que estava no Japão para o encontro do G7 naquela semana, teria se sentido traído por não ter sido comunicado antes sobre a decisão do Ibama, conforme a Folha apurou com interlocutores do governo.
Nesta semana, o Congresso promoveu uma séries de votações que enfraquecem agenda ambiental e indígena do governo Lula, como a retirada de competências do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do Ministério dos Povos Indígenas em medida provisória aprovada em comissão na Câmara.
Na última quarta, foi aprovada também medida provisória que enfraquece o funcionamento do CAR (Cadastro Ambiental Rural) e da proteção da mata atlântica. No mesmo dia, houve ainda a aprovação de urgência para votar o marco temporal das terras indígenas no Congresso.
"Já participei de COP no Egito, em Copenhague, e o pessoal só fala de Amazônia. Por que então não fazer uma COP em um estado da Amazônia?", disse Lula, sobre a escolha de Belém como sede do evento.
O anúncio da capital paraense como anfitriã foi feito ainda no início de janeiro, após Barbalho ter protagonizado o apoio de governadores ao presidente, em reunião com mandatários de todos os estados brasileiros no dia seguinte aos ataques golpistas de 8 de janeiro.
"Estamos trabalhando para mostrarmos que a Amazônia está preparada para receber o planeta e, por outro lado, mostrar a construção do desenvolvimento sustentável em favor da nossa região", afirmou Barbalho.
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