
30/05/2023
A Mata Atlântica continua a sofrer com o desmatamento (2ª maior taxa dos últimos 6 anos) e vive novas ameaças com brechas em lei aprovada pelo Congresso, mas ainda é capaz de surpreender com novas descobertas.
Desde 2021, ao menos 11 espécies nunca antes vistas foram identificadas, como a bromélia enigmática e a perereca-pixinguinha. Das 46 mil plantas, fungos e algas conhecidas no Brasil, cerca de 20 mil estão no bioma.
Neste mês, o dia 27 é dedicado ao bioma, data celebrada no g1 com uma série de reportagens e ainda um game.
Em todo o Brasil, há 118 mil espécies de fauna identificadas, mas estima-se que a variedade ultrapasse os 137 mil. Destas, milhares são nativas do bioma, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA). A Mata Atlântica concentra 24% das espécies ameaçadas no país.
Além disso, a floresta possui centenas de espécies endêmicas, que não existem em nenhum outro lugar do mundo.
Entre as recém-descobertas na Mata Atlântica, estão:
🦟 Duas novas espécies da família psicodídeos (insetos conhecidos como mosquitinhos-de-banheiro ou moscas-mariposas) Arisemus sinuosus e Neopericoma bela.
🌱 Bromélia enigmática (Stigmatodon enigmaticus), uma nova espécie da planta bromélia.
🌷 A planta Microlicia caparaoensis, da família Melastomataceae, foi descoberta junta a outras 4 novas espécies.
🌸 A árvore Vitex pomerana, 35ª variedade de tarumã identificada no Brasil, endêmica da Mata Atlântica.
🐸 Perereca-pixinguinha (Scinax pixinguinha).
Além disso, em 2022 foi oficializada a descoberta de todo um novo gênero de plantas na região da Mata Atlântica. São as Gyrosphragma latipetala, que passam a integrar a família Lythraceae, a mesma da qual faz parte a romã.
As descobertas foram celebradas pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), que realiza pesquisas e promove a inovação científica, além de conservar acervos e disseminar conhecimento relacionadas à Mata Atlântica.
"Quando vamos a campo, há sempre a chance de encontrarmos uma nova espécie, um novo gênero ou até uma nova família de vegetação. Ainda há muitas espécies nativas que não foram catalogadas, ou porque não há especialistas daquele gênero, ou porque ainda não foram devidamente estudadas", explica Dayvid Rodrigues Couto, que é botânico do INMA e participou da descoberta da bromélia enigmática.
Descobrir novas espécies é um trabalho desafiador, mas muito estimulante, segundo os pesquisadores.
Apesar de ser apenas um dos muitos resultados possíveis do trabalho de campo, os especialistas dizem que é a função é recompensadora.
Gosto de pensar na biodiversidade de planeta como um grande quebra-cabeça. Ainda faltam muitas peças a serem descobertas e elas representam nosso desconhecimento. Se temos um quebra-cabeça com muitas pelas faltantes, não conseguimos visualizar a imagem completa.
— João Victor Lacerda, herpetólogo, especialista em anfíbios da Mata Atlântica.
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
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