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Paixão de pesquisadora dos EUA por macaco brasileiro aumenta população dos muriquis na Mata Atlântica

30/05/2023

O muriqui é um dos personagens do jogo lançado pelo g1 na última sexta-feira (26). No Bzzz!Drone – Missão Mata Atlântica, o objetivo da primeira fase é fotografar o muriqui-do-sul, que vive em fragmentos do bioma no Paraná, em São Paulo, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Ao lado do muriqui-do-norte, o primata é o maior macaco das Américas, nativo da Mata Atlântica e símbolo de tranquilidade e harmonia por viver sempre em grupo e geralmente abraçando seus parceiros e filhotes.
Mas as duas espécies de muriquis correm risco de extinção. E se não fosse pelo trabalho de quase 40 anos da pesquisadora norte-americana (mas "quase brasileira") Karen Strier, a população atual de aproximadamente 2 mil muriquis da Mata Atlântica seria muito menor.
A antropóloga é a principal referência quando o assunto é o "macaco-hippie e jardineiro da floresta", como também são chamados os muriquis. Seu projeto "Muriquis da Caratinga", no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, é considerado o mais longevo estudo dessa população de animais.
"Foi uma paixão à primeira vista quando eu vi um muriqui de longe, numa árvore. Eu me intriguei demais, eu queria conhecê-lo e ao mesmo tempo fui muito bem recebida pelos brasileiros aqui", relembra a pesquisadora, quando na década de 1980 veio ao Brasil justamente para conhecer o animal.
Karen, que é presidente da Sociedade Internacional de Primatologia, faz questão de ressaltar que todo esse seu trabalho é resultado de um esforço coletivo de diversos pesquisadores e estudantes que a acompanham na empreitada.
Mas é fato que muito do que conhecemos hoje sobre os muriquis é resultado de suas observações, que fizeram crescer inclusive em cerca de 7 vezes a população de muriquis-do-norte em Caratinga, ao longo dessas 4 décadas - de cerca de 50 para aproximadamente 350 em 2015.
Hoje, apesar de um leve declínio populacional ocasionado principalmente pela febre amarela, os muriquis da Caratinga são considerados uma referência para conservação da espécie.
Até pouco tempo atrás, na década de 1990, os pesquisadores acreditavam inclusive que só existia uma única espécie de muriqui na natureza, pois ambos os primatas pesam aproximadamente de 8 a 12 kg, têm entre 120 e 150 cm e possuem comportamentos bem similares.
Apesar dessas semelhanças, o que intrigava os primatologistas aficionados pelo macaquinho era uma característica bem marcante: por que alguns muriquis possuem a face toda preta, enquanto outros possuem pigmentações rosa nas faces e genitálias quando adultos?
A suspeita era então que estávamos observando duas espécies. E tudo isso se confirmou graças não apenas ao longo trabalho da pesquisadora, mas também ao esforço de diversos outros cientistas e até mesmo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que concentrou os estudos e elaborou um banco de dados de áreas com relato de ocorrência de muriquis nos últimos anos.
Depois de testes genéticos, veio então a confirmação das duas espécies em um estudo publicado em 2019, algo fundamental para vermos crescer o número de muriquis na Mata Atlântica, explica Leandro Jerusalinsky, chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros no ICMBio.
Com isso, ficou estabelecido que os muriquis-do-sul eram os de fato que tinham uma face totalmente preta, enquanto os do norte possuíam pigmentações rosa nas faces e genitálias.
"Fazer a identificação dessas duas espécies é muito importante para traçarmos melhor estratégias de conservação", diz o pesquisador.
"Se elas fossem uma espécie só, a gente diria que a população é muito maior, temos muitos indivíduos. Mas não é isso que acontece. Agora a gente consegue avaliar melhor inclusive estratégias de manejo populacional".
Jerusalinsky conta ainda que fazer essa identificação foi muito importante para a coordenação inclusive das estratégias do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica, que além dos muriquis contempla 14 espécies ameaçadas no bioma.
O PAN Primatas foi lançado em 2018 e a esperança agora é que todo esse estudo aumente o habitat e reduza o declínio das populações de primatas da nossa mata.
Os muriquis são primatas diurnos e passam cerca de 50% do dia descansando. Mas o seu comportamento mais característico é o fato de que ambas as espécies são bastantes pacíficas.
Karen diz que são muitos raros os casos de ataques a indivíduos do mesmo grupo.
Outra característica bem importante dos muriquis, mencionada no começo do texto, é que eles são fundamentais para o bioma onde vivem - e vice-versa.
Os muriquis se alimentam principalmente de folhas e frutos, mas também comem flores, sementes, néctar, casca de árvores e brotos de bambu.

A reportagem pode ser lida por completa no g1

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