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Quiosques da orla do Rio substituem plástico e isopor por materiais biodegradáveis

30/05/2023

Os quiosques das praias do Rio prometem contribuir para um meio ambiente mais sustentável. Da substituição das embalagens de plástico pelas biodegradáveis ao abastecimento de eletricidade por meio da energia solar, 309 estabelecimentos da orla buscam fazer a sua parte.
Na visão de João Marcello Barreto, presidente da concessionária Orla Rio, que administra os quiosques do Leme ao Pontal, as praias são um grande equipamento turístico, assim como os quiosques, afinal, “os turistas vão um dia no Cristo Redentor, um no Pão de Açúcar, mas à praia vão todos os dias”.
Por isso, desde 23 de março, os quiosqueiros foram avisados que, em 90 dias, teriam que zerar o estoque de embalagens de quentinhas feitas de plástico ou isopor, que podem demorar 400 anos para se decompor.
— Serão usados recipientes biodegradáveis, de papelão, com uma película de alumínio por dentro para manter a temperatura — explica Barreto, que, por meio do projeto Praia Circular, também implementa outras medidas pensando no planeta.
Um dos quiosques que põem em prática essas iniciativas é o Tatuí, no Leme, onde até o nome foi pensado como uma referência à limpeza, já que o crustáceo é um indicativo de qualidade: onde ainda existe, a praia é boa, explica o operador do empreendimento, Gabriel Castro.
— Todo o quiosque foi pensado, da embalagem ao guardanapo. Tudo é sustentável — conta Gabriel, acrescentando que também tem preocupação com a reciclagem dos materiais utilizados.
Já na Praia de Copacabana desde março é possível comprar 500ml de água por R$ 1, em uma máquina instalada no calçadão, na altura do Posto 4. Para incentivar o reaproveitamento da embalagem, o comprador é estimulado a levar seu próprio recipiente.
O Praia Circular é um projeto desenvolvido pela União Europeia, criado a partir de um plano de inovação que identificou desafios das cidades em relação à cadeia de produção, ao consumo e à gestão de plásticos. Junto à entidade estão a Orla Rio e a Riotur.
A mais de 30 quilômetros de Copacabana, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, a chegada à Prainha apresenta ao banhista um ponto turístico sem prédios. Apenas dois quiosques abastecem o público, mas, até junho do ano passado, era tudo à moda antiga: sem energia elétrica.
— A prainha é uma reserva, não tem (abastecimento de) luz, nem água. Por isso, a gente foi no caminho da energia solar, com placas instaladas no quiosque que carregam as baterias que nos abastecem. Antes disso, a gente operava “no escuro” — diz Bill Tassinari, de 43 anos, sócio do quiosque Layback Soul Prainha.
Sem abastecimento por concessionárias de energia, 15 placas fotovoltaicas foram instaladas no teto do quiosque em junho do ano passado, formando um telhado que faz sombra para os frequentadores. No entanto, estar em meio à natureza tem suas consequências: na visita da reportagem ao local, no último dia 5, o local já estava às escuras por uma semana.
— Estamos em uma área de preservação. Até cobra aparece dentro do quiosque. O nosso inversor, que fica dentro do balcão, queimou, porque entrou algum bicho e comeu o equipamento — contou o sócio Celso Teixeira.
A compra de sacos de gelo para manter as bebidas geladas, em vez de geladeiras, e as anotações dos pedidos em um papel, no lugar dos tablets usados no dia a dia, foram ações necessárias para manter o funcionamento. As máquinas de cartão foram carregadas em casa. O vizinho quiosque Brother convive com rotina parecida, já que as três placas solares que usa são suficientes apenas para fornecer internet e manter uma câmera ligada.
Mas, além dessa iniciativa, há outra que também usa placas solares, só que à distância. Dez fazendas solares — de Vassouras, Seropédica e Paracambi — atendem 75 quiosques da orla do Rio, um quarto do total.
Trata-se do Projeto Solis, uma parceria da Orla Rio com a Nextron, uma “climate tech” (empresa voltada para soluções climáticas). A meta é que 60% dos 309 quiosques estejam atendidos pelo projeto até julho, e que a totalidade deles seja contemplada no ano que vem.
As fazendas solares geram a energia, que é lançada na rede da Light, originando créditos que, na prática, significam desconto nas contas. Parte desse valor é devolvida: 70% ficam com os donos dos quiosques, 20% com a Nextron e 10% com a Orla Rio.
— A Nextron tem um software que compartilha a energia de fazendas solares com os quiosques. É como se o painel estivesse no telhado deles, mas não, está longe, sendo compartilhado — diz João Marcelo.

Fonte: O Globo

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