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A Terra está doente e precisa de cuidados urgentes

06/06/2023

Em 2023, o mundo entrou no mês do Meio Ambiente com um alerta. No dia 31 de maio, foi publicado na Nature um abrangente estudo que confirma que a saúde do nosso planeta está em risco. A análise feita por cientistas pode ser comparada a um checkup que os médicos fazem nos seus pacientes humanos, mas ao invés do pulso, temperatura e exames de sangue, os cientistas avaliaram indicadores como fluxo de água, uso de fósforo e conversão de terras.
Para cada análise, foram usadas referências “seguras e justas” para o planeta que podem ser comparadas aos sinais vitais do corpo humano. As medidas e limites são baseados em uma síntese de estudos anteriores de universidades e grupos científicos da ONU, como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e a Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos.
Infelizmente, a situação é grave em quase todas as categorias: a atividade humana empurrou o mundo para a zona de perigo em sete dos oito indicadores recém-demarcados de segurança e justiça planetária. Além da emergência climática, cientistas da Comissão da Terra apresenta evidências perturbadoras de que nosso planeta enfrenta crises crescentes de disponibilidade de água, carregamento de nutrientes, manutenção do ecossistema e poluição por aerossóis. Estes representam ameaças à estabilidade dos sistemas de suporte à vida e pioram a igualdade social.
Esta é uma abordagem inovadora que mede o bem estar da Terra e da população humana que vive no planeta. O relatório é considerado a tentativa mais ambiciosa de combinar sinais vitais de saúde planetária com indicadores de bem-estar humano. “É uma tentativa de fazer uma avaliação científica interdisciplinar de todo o sistema planeta-pessoas, algo que devemos fazer devido aos riscos que enfrentamos”, explica o professor Johan Rockström, um dos principais autores.
Se fosse traduzido para um relatório médico, podemos dizer que o diagnóstico da Terra é grave, mas ainda podemos reverter este quadro. O principal alerta é que o tempo para um remédio está se esgotando.
“Nosso médico diria que a Terra está realmente muito doente agora em muitas áreas. E isso está afetando as pessoas que vivem na Terra. Devemos abordar não apenas os sintomas, mas também as causas”, afirma Joyeeta Gupta, co-presidente da Comissão da Terra e professora de meio ambiente e desenvolvimento no sul global da Universidade de Amsterdã.
David Obura, outro membro da comissão e diretor de pesquisa e desenvolvimento dos oceanos costeiros no Oceano Índico, disse que a estrutura política já estava em vigor para voltar a limites seguros por meio dos objetivos dos acordos existentes sobre clima e biodiversidade da ONU. Mas ele enfatizou que as escolhas de consumo também precisam desempenhar um papel importante.
“Existem vários medicamentos que podemos tomar, mas também precisamos de mudanças no estilo de vida – menos carne, mais água e uma dieta mais equilibrada”, disse ele. “É possível fazer isso. Os poderes regenerativos da natureza são robustos… mas precisamos de muito mais comprometimento.”
Os autores selecionam cinco dos nove sistemas planetários originais – clima, biosfera, água, nutrientes e poluição do ar – e identificam oito indicadores-chave quantificáveis ​​que podem monitorar esses sistemas.
Esses indicadores – incluindo nível de aquecimento, área de ecossistemas naturais e fluxo de água superficial – foram “cuidadosamente escolhidos” para serem “implementáveis ​​para as partes interessadas em cidades, empresas e países em todo o mundo”, disse Rockström em uma coletiva de imprensa.

A reportagem completa você lê no CicloVivo

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