
06/06/2023
Pesquisadores do laboratório de genética vegetal da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) buscam, por sequenciamento genético, descobrir a identidade da Figueira da Praça XV, em Florianópolis. Centenária, a árvore é um dos principais cartões-postais da Capital de Santa Catarina, mas ainda não tem definida a origem e espécie.
O trabalho é feito desde março pelo professor de biotecnologia Valdir Stefenon junto com os estudantes de pós-doutorado Yohan Fritsche e Thiago Ornella.
Segundo os especialistas, até o momento se tem a evidência de que a espécie que habita a praça é exótica, ou seja, não é originária do Brasil. Outros detalhes, no entanto, devem ser divulgados nas próximas semanas.
Após confirmarem a espécie da figueira, conforme os pesquisadores, será possível avançar e buscar possibilidades para a chegada da árvore na cidade. Até os dias atuais, não se sabe ao certo como e por quem ela foi levada para a praça.
"A partir do conhecimento exato, é possível dizer de onde ela veio, se foi do Rio de Janeiro ou de outras partes do mundo", explicou Stefenon.
Tema de lendas contadas há gerações pelos moradores de Florianópolis, a figueira foi plantada por volta de 1870 na área que atualmente abriga a escadaria da Catedral, também no centro da cidade. Cerca de 20 anos depois, em 1891, ela foi transplantada para a praça e desde então serviu de sombra aos viajantes, além de palco para festividades.
Para a descoberta, os pesquisadores coletaram partes pequenas da árvore quem contém genomas de cloroplastos. A substância pode ser encontrada, por exemplo, nas folhas de plantas. A partir disso, o material foi colocado em um equipamento de alta tecnologia que identificou e mostrou o DNA da figueira da Praça XV.
Com isso, os pesquisadores estão conseguindo comparar os dados da árvore da Capital com os de outras milhares espécies registradas em um banco de dados mundial.
"Dessa forma, a gente consegue mostrar que a ciência também contribui e se mistura com a história, que a ciência tem que sair das quatro paredes do laboratório. Acho muito importante que não estamos fazendo algo só para o mundo cientifico, mas produzindo conhecimento para a cultura da cidade", explicou o professor.
Além do trabalho de sequenciamento genético, os pesquisadores também desenvolvem uma pesquisa para clonagem da árvore. Usando filamentos mais novos da árvore, o processo vai ajudar a perpetuar as características genéticas da atual figueira.
Segundo Stefenon, os primeiros resultados são positivos:
"É um processo um pouco demorado, mas a gente acredita que dentro de um ano a gente vai ter uma quantidade considerável de clones da figueira. Se tem discutido com o grupo que esse clone pode ser [usado] de presente que caracterize exatamente o que é Florianópolis. E para fortalecer laços de amizade com outros municípios, outros estados, outros países", afirmou.
Fonte: g1
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