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Moradores clamam: “chega de esgoto em nossa represa”

06/06/2023

Um evento simbólico buscou mobilizar a população, empresas e governos em defesa das fontes de água da região metropolitana de São Paulo e chegou à sua 17ª edição. É o Abraço Guarapiranga, ou simplesmente Abraço, que foi realizado no último domingo dia 4, abrindo a Semana do Meio Ambiente.
Esta edição 2023 traz como tema o combate ao lançamento de esgoto sem tratamento nos cursos d’água. Os movimentos e organizações envolvidos cobram medidas urgentes para conter a destruição sobretudo das represas de Guarapiranga e Billings, sufocadas pela degradação dos seus mananciais e pelo despejo de resíduos de todo tipo nos seus corpos.
Além de pressionar o poder público por melhorias, o evento tem como objetivo alertar a população, empresas, a imprensa e todos os níveis de governo para a urgência na construção de uma nova cultura de cuidado com a água.
Atualmente, a poluição da Guarapiranga, por exemplo, é visível, inclusive na cobertura de uma camada de macrófitas que se expandiu recentemente. Estas plantas se multiplicam rapidamente em ambientes aquáticos pobres em oxigênio e ricos em nutrientes orgânicos, oriundos basicamente do esgoto sem tratamento lançado nos corpos d’água.
A manifestação é realizada por um conjunto de organizações da sociedade civil desde 2006, quando a represa celebrava 100 anos de existência. A partir da pressão realizada pelo Abraço, houve uma série de conquistas para o reservatório, seus mananciais e toda a região, como a implantação dos parques lineares, a requalificação da orla da avenida Atlântica e diversas contribuições para o aperfeiçoamento de legislações sobre o tema.
O Abraço é um evento aberto ao público e inteiramente gratuito, como demonstração de respeito e carinho, numa celebração das águas, do meio ambiente e da natureza, mas também como um ato de denúncia e indignação pelo descuido com os mananciais, especialmente da Guarapiranga.
O evento propõe ainda uma profunda reflexão sobre a situação dos reservatórios, reivindicando ações urgentes das prefeituras e do Governo do Estado com planejamento e ações integradas dos órgãos públicos.
Com uma produção de 15m³ de água por segundo e abastecendo cerca de 5 milhões pessoas, a represa do Guarapiranga integra o segundo maior sistema de produção de água de São Paulo. Criada há 117 anos, a Represa é indispensável ao abastecimento de água da capital paulista, uma vez que a região mais povoada do país possui baixa oferta de água.
Grande parte do esgoto produzido na Bacia Hidrográfica da Guarapiranga é lançado diretamente nos córregos que deságuam na represa. As inúmeras estações elevatórias do sistema Guarapiranga estão danificadas e não bombeiam o efluente para que receba o devido tratamento. Ou seja, a própria concessionária dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgotos é quem despeja os dejetos irregularmente nos cursos d’água, chegando ao reservatório. Com isso a Guarapiranga, está se transformando em uma enorme lagoa cheia de um líquido impróprio para o consumo humano.
Também a ocupação desenfreada e irregular das áreas de mananciais é responsável pela supressão da mata nativa, responsável por assegurar a produção e a qualidade das águas, além de contribuir para aumentar o volume de esgoto e lixo despejados na represa.
As áreas verdes remanescentes no entorno da Guarapiranga prestam enormes serviços ambientais, uma vez que atuam como “esponjas”, absorvendo a água em épocas de chuva e liberando-a gradualmente em períodos de seca. Assim, estas “florestas” aumentam a permeabilidade e a retenção da água no solo, garantindo a recarga dos aquíferos e servindo de refúgio para animais silvestres, o que contribui enormemente para o equilíbrio climático de toda a metrópole.
Os organizadores do evento lembram que a Região Metropolitana de São Paulo possui uma disponibilidade hídrica de apenas 143 metros cúbicos por habitante/ano, apenas 1/10 da disponibilidade hídrica ideal segundo a ONU – de 1.500 a 2 mil metros cúbicos por habitante/ano. Portanto, trata-se de um tema sério, relevante e que requer atenção de toda a sociedade.

Fonte: CicloVivo

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