
13/06/2023
Antes mesmo do início da estação quente no hemisfério norte, já foram quebrados recordes de temperatura este ano.
A Espanha, por exemplo, sofreu temperaturas em abril —38,8°C— que seriam fora do comum até no pico do verão.
O sul e o sudeste asiático foram particularmente atingidos por uma onda de calor muito persistente, com recordes de temperatura de todos os tempos registrados em países como o Vietnã (44°C) e a Tailândia (45°C).
Singapura tinha um recorde mais modesto que também foi batido, com temperaturas atingindo 37°C. E Xangai, na China, registrou a temperatura mais alta em mais de um século no mês de maio: 36,7°C.
Sabemos que as mudanças climáticas tornam essas temperaturas mais prováveis, mas ondas de calor de magnitude similar podem ter impactos muito diferentes, dependendo de fatores como a umidade ou a qualidade de preparação de uma região para o calor extremo.
Por isso, como um país úmido como o Vietnã lida com uma onda de calor de 44°C e como compará-lo com o calor seco ou uma onda de calor não tão forte em Singapura, que é ainda mais úmida?
A recente onda de calor no sudeste asiático pode vir a ser lembrada pelo seu nível de estresse provocado por calor no corpo.
O estresse térmico é causado principalmente pela temperatura, mas outros fatores climáticos, como umidade, radiação e vento, também são importantes.
Nossos corpos ganham calor do ar à nossa volta, do sol ou dos nossos próprios processos internos, como a digestão e os exercícios. Em resposta, nossos corpos precisam perder parte desse calor.
Nós perdemos um pouco de calor diretamente para o ar à nossa volta e pela respiração. Mas a maior parte do calor é perdida pela transpiração.
Quando o suor na superfície da pele evapora, ele absorve energia da pele e do ar à nossa volta, na forma de calor latente.
Mas os fatores meteorológicos afetam todo este processo. A ausência de sombra, por exemplo, expõe o nosso corpo à luz do sol direta, enquanto a umidade mais alta faz com que a velocidade de evaporação da nossa pele diminua.
É esta umidade que tornou tão perigosa a recente onda de calor no sudeste asiático, que já é uma região do mundo extremamente úmida.
Condições de saúde preexistentes e outras circunstâncias pessoais podem tornar algumas pessoas mais vulneráveis ao estresse térmico.
Mas o estresse térmico pode atingir um limite acima do qual todos os seres humanos, mesmo aqueles que não são claramente vulneráveis aos riscos causados pelo calor —ou seja, pessoas saudáveis, em forma e bem aclimatadas— simplesmente não consigam sobreviver, mesmo com nível moderado de esforço.
Uma forma de determinar o estresse térmico é a chamada Temperatura Global de Bulbo Úmido (WBGT, na sigla em inglês).
Em condições totalmente ensolaradas, esta temperatura equivale a cerca de 39°C, combinada com 50% de umidade relativa. Este limite provavelmente terá sido excedido em alguns lugares, durante a recente onda de calor que se espalhou por todo o sudeste asiático.
Em lugares menos úmidos, longe dos trópicos, a umidade e, portanto, a temperatura de bulbo úmido e o risco serão muito mais baixos.
A onda de calor na Espanha no último mês de abril, com temperaturas máximas de 38,8°C, teve temperaturas globais de bulbo úmido de "apenas" cerca de 30°C.
Já a onda de calor de 2022 no Reino Unido, com temperaturas de mais de 40°C, teve umidade de menos de 20% e valores de WBGT de cerca de 32°C.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
Maior coruja do Brasil é registrada em área de preservação de Valença
02/07/2026
Baleias chegam mais cedo ao litoral e isso pode não ser uma boa notícia
02/07/2026
Recife paga PIX por entulho coletado nas ruas
02/07/2026
Startup de bioingredientes vai conectar Amazônia e mercado global
02/07/2026
Amazônia mostra sinal de mudança funcional para lidar com a seca, aponta estudo
02/07/2026
Ministério da Saúde lança painel de alerta para calor extremo em municípios
02/07/2026
