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Semana de trabalho de 4 dias poderia beneficiar o clima?

13/06/2023

Trabalhar cinco dias por semana é uma prática comum no mundo ocidental, mas nem sempre foi assim.
Durante a Revolução Industrial, os trabalhadores muitas vezes labutavam nas fábricas por mais de 70 horas semanais. Isso só mudou com a ascensão dos sindicatos e as preocupações com a exploração, que provocaram demandas por um limite de horas.
Em 1926, Henry Ford se tornou um dos primeiros empregadores a implementar uma semana de trabalho de cinco dias e 40 horas em suas fábricas de automóveis. Ele acreditava que seus funcionários seriam igualmente produtivos em menos tempo se tivessem dois dias de folga. Seu experimento foi um sucesso: a produtividade aumentou, outras empresas seguiram o exemplo e a semana de cinco dias veio para ficar.
Mas, 100 anos depois, uma campanha para encurtar ainda mais a semana —para quatro dias— está ganhando força.
Nos últimos anos, foram realizados experimentos pilotos de quatro dias semanais de trabalho em diversos cantos do mundo, como Japão, Nova Zelândia, Irlanda, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos e Islândia.
Os resultados foram extremamente positivos, com melhora da saúde e bem-estar entre os funcionários, bem como ganhos de produtividade. Vários estudos também sugeriram que pode haver benefícios para o planeta.
Juliet Schor, economista e professora de sociologia no Boston College, nos EUA, diz que há ligações claras entre a pegada climática e as horas de trabalho —elo menos em países de alta renda.
"O que descobrimos é que países com longas jornadas de trabalho têm altas emissões de carbono, e países com jornadas de trabalho curtas têm emissões de carbono mais baixas", disse Schor.
Um artigo de sua coautoria em 2012 analisou os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) entre 1970-2007 e concluiu que uma redução de 10% nas horas de trabalho poderia reduzir a pegada de carbono em 14,6%.
Um outro estudo, realizado em 2021 pelo grupo ambiental britânico Platform, previu que, ao mudar para uma semana de trabalho de quatro dias até 2025, o Reino Unido poderia reduzir suas emissões em 20%, ou cerca de 127 milhões de toneladas. Isso é mais do que toda a pegada de carbono da Bélgica.
De onde viriam essas economias? De acordo com o estudo, um dia a menos de expediente pode reduzir o consumo de energia nos locais de trabalho, diminuir as emissões decorrentes dos deslocamentos e incentivar mudanças sustentáveis no estilo de vida.
Mas deixando de lado uma carga semanal de quatro dias, simplesmente trabalhar mais em casa— como muitas pessoas se acostumaram a fazer durante a pandemia— também pode resultar em uma economia semelhante de emissões por deslocamentos.
Para determinar o impacto de uma semana de trabalho de quatro dias, Schor conduziu pesquisas sobre dois projetos pilotos recentemente realizados no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Irlanda. Cerca de 3.500 funcionários de 91 empresas de diferentes setores participaram dos experimentos de seis meses. Para supervisionar os testes, foram convocados a organização sem fins lucrativos londrina 4 Day Week Global, o think tank Autonomy, a Universidade de Cambridge e o Boston College.
Os funcionários receberam o mesmo salário e foram solicitados a manter a mesma produtividade em jornadas de trabalho reduzidas. Em poucas palavras, os resultados mostraram que os trabalhadores eram, em sua maioria, tão ou mais produtivos, menos propensos a faltar por doença e mais saudáveis e felizes. Após o término dos experimentos, mais de 90% das empresas optaram por manter o esquema, enquanto 4% optaram por abandoná-lo.
Schor diz que é difícil calcular os impactos totais das emissões dos projetos-pilotos. Trata-se de uma área que os pesquisadores esperam estudar mais de perto em testes futuros.

Leia mais no g1

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