
13/06/2023
A cidade de Melbourne, na Austrália, possui 70 mil árvores sob cuidados da gestão municipal. Com parques, jardins e ruas arborizadas, as áreas verdes são parte essencial da vida dos australianos. Entretanto, muitas árvores estão sob ameaça e, para mapear os desafios enfrentados, foi criado o projeto Urban Forest. O que começou com um objetivo prático culminou em um rumo poético: as árvores de Melbourne recebem, semanalmente, cartas de amor.
Secas, restrições severas de água e períodos de calor extremo são algumas das condições enfrentadas em diversas cidades ao redor do mundo. Em Melbourne não é diferente. Além da intensificação de extremos causados pelas mudanças climáticas, a cidade australiana em particular possui uma quantidade significativa de árvores com mais de 100 anos, que foram plantadas no mesmo período e que, portanto, perderão a saúde e precisarão ser removidas ao mesmo tempo.
A cidade calcula que perderá 27% da população atual de árvores na próxima década e 44% nos próximos 20 anos. Além da perda de cobertura, isso pode reduzir a quantidade de habitat disponível para a vida selvagem.
Outro ponto está na falta de diversidade de espécies, que deixa a floresta urbana vulnerável a ameaças de pragas, doenças e estresse. Atualmente, a cidade é dominada por eucaliptos, corímbias, plátanos e olmos. Por isso, uma das metas concretas é justamente não ter mais de 5% de qualquer espécie de árvore, não mais de 10% de qualquer gênero e não mais de 20% de qualquer família.
Por outro lado, a renovação da arborização urbana já está ocorrendo. A cidade possui um cronograma de plantio que mostra quando, onde e quais espécies serão plantadas em cada rua nos próximos dez anos e é para compartilhar esta e outras informações de estratégia florestal que nasceu o site Urban Forest Visual.
O Urban Forest possui um mapa de cada árvore, que mostra o gênero e a idade, além de ser numerada. Há também uma opção que permite enviar e-mail para a árvore. Atualmente, todas as árvores de propriedade do conselho em Melbourne possuem um endereço de e-mail. Criado em 2012, trata-se de uma iniciativa para rastrear as manutenções de cada espécie. A ideia é que os próprios cidadãos, ao identificar algo estranho, pudessem indicar as árvores que precisarem de algum cuidado especial, porém os australianos começaram a usar o e-mail para escrever cartas de amor e poemas.
Em entrevista à ABC Radio Melbourne, o pesquisador da Monash University Julian O’Shea conta que conheceu uma funcionária que, entre outras funções, respondia às cartas “com bastante leviandade, muitas vezes com algumas piadas e trocadilhos com árvores”. Segundo ele, a ideia dela não era incorporar a sabedoria das árvores em suas palavras, ainda que muitas pessoas usem o canal para buscar conselhos e compartilhar sentimentos profundos.
Leia algumas cartas recebidas pelo projeto em 2018 acessando o CicloVivo
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