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O que é Mineração Urbana?

13/06/2023

A mineração urbana busca explorar e recuperar recursos valiosos presentes nos resíduos descartados nas cidades. Enquanto a mineração tradicional extrai matérias-primas diretamente da terra, o conceito em questão concentra-se naquelas ocultas nos produtos descartados pela população, como plástico, vidro e metais ferrosos e não-ferrosos (ferro, ouro, prata, alumínio, cobre etc) reutilizáveis pela indústria.
Para simplificar, enquanto a atividade realizada tradicionalmente foca nos minerais virgens, a mineração urbana recicla e coloca novamente em circulação esses materiais, a partir dos itens que foram entregues pelos consumidores após o uso. Quando eles são destinados inadequadamente (no lixo comum ou no meio ambiente), podem acabar indo para lixões ou descartados a céu aberto e com isso prejudicar a flora, a fauna e a saúde humana.
É uma maneira de reduzir a dependência de recursos naturais e minimizar os impactos ambientais associados a ela. Em vez de depositar os resíduos no meio ambiente ou incinerá-los, o objetivo é recuperar os insumos, por meio de processos de reciclagem e reutilização.
A implementação da mineração urbana no Brasil enfrenta diversos desafios. Um deles é a falta de infraestrutura adequada para a execução do processo. A coleta seletiva, por exemplo, ainda é incipiente em muitas cidades brasileiras, o que impede que os produtos sejam destinados para a reciclagem.
Além disso, a conscientização da população sobre a importância da separação dos produtos e da reciclagem de lixo eletrônico também é um problema que precisamos – e devemos – enfrentar. A falta de informação e de educação ambiental contribui para que uma quantidade significativa de materiais recicláveis acabe misturada aos rejeitos orgânicos, o que impede a reciclagem.
Outra dificuldade é a legislação ambiental e as regulamentações que envolvem a mineração urbana, ainda embrionárias. A falta de regras e metas claras e específicas sobre o assunto gera insegurança jurídica e dificulta a implementação de projetos neste sentido. Além disso, é um impulsionador de atividades informais e inseguras, já que o manuseio desse tipo de resíduo não é simples.
Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), o Brasil gerou quase 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2019. Desse total, estima-se que apenas 3% tenham sido reciclados de forma adequada.
No que se refere ao descarte ambientalmente correto e reciclagem dos aparelhos eletroeletrônicos e pilhas que não possuem mais utilidade, os dados também não são animadores. Segundo relatório produzido pela Universidade das Nações Unidas, apenas em 2019, o Brasil descartou mais de 2 milhões de toneladas, sendo que menos de 3% foi reciclado. Essa baixa taxa indica um enorme potencial para a implementação da mineração urbana, uma vez que a maior parte dos resíduos descartados nas cidades brasileiras ainda não é adequadamente aproveitada.
Uma das maneiras de ampliar o reaproveitamento dos insumos no Brasil é garantindo a viabilidade de sistemas de logística reversa, que ajudam a recuperar os materiais dos produtos, enviando-os para os profissionais capacitados para a reciclagem. As marcas podem optar por dois modelos: individual, aquele que cada empresa desenvolve por meios próprios, ou coletivo, no qual várias empresas se associam para ratear os custos do processo todo.
É o que acontece com os associados da Green Eletron, por exemplo, maior gestora de logística reversa deste tipo de resíduo no Brasil. Com milhares de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) espalhados em todo o país, a entidade é responsável pela coleta e destinação correta de equipamentos eletrônicos e das pilhas descartados pela população, promovendo a reciclagem e a recuperação dos materiais mencionados anteriormente.

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