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Niterói tem refúgio para tartarugas-verdes que vêm da África e do Caribe

15/06/2023

Elas chegam de lugares distantes e variados do planeta. Passam por aqui uma temporada de amadurecimento, rumo à fase adulta, que pode durar cerca de 20 anos. E depois voltam para casa. Refúgio de tartarugas-verdes (Chelonia mydas), a Reserva Extrativista Marinha de Itaipu ( Resex-Mar Itaipu), em Niterói, oferece proteção e fartura de alimentos que atraem exemplares vindos de regiões da costa da África, do Caribe e de ilhas oceânicas do Brasil. Essas visitantes muito especiais são alvo do Projeto Aruanã, de pesquisa e preservação da espécie, que encerrou nesta semana uma importante fase de coleta de tecidos para análise genética dos animais encontrados na Praia de Itaipu.
Na pesquisa por meio de captura intencional, os integrantes do Projeto Aruanã usam uma rede especial que não machuca as tartarugas e permite que elas sejam devolvidas à água em segurança. Os animais são identificados, têm seu desenvolvimento acompanhado e seu estudo permite a coleta de informações sobre parâmetros populacionais, como taxa de mortalidade, emigração e taxa de crescimento, além de condições de saúde.
É dura a vida da tartaruga-verde: lá onde nasceram, os filhotes são lançados ao mar ainda bem pequenos e, sem traquejo para nadar, passam entre 5 e 7 anos sendo levados pelas marés. Mais crescidos, procuram, na costa, pontos conhecidos como áreas de agregado de alimentação, a exemplo da Praia de Itaipu, ambientes onde passam a “juventude”, ou as próximas duas décadas.
Para entender esse processo, o grupo de pesquisa do Projeto Aruanã faz duas temporadas anuais de capturas intencionais — a primeira em abril ou maio e a segunda em outubro. Além das visitantes estrangeiras, que podem ter vindo do Caribe e da África, chegam a Niterói tartarugas-verdes nascidas no Arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, no Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte, e na Ilha da Trindade, no Espírito Santo.
Para confirmar a origem dos animais, é recolhido material genético nas capturas intencionais. Os bichos também ganham uma anilha, uma espécie de tag, com número de identificação, e passam por check-up completo. Fotos do topo da cabeça das tartarugas, que exibem um padrão único de manchas, funcionam como uma impressão digital.
Quando tem outro recurso disponível, ela se alimenta. Pode pode ser resto do peixe, podem ser organismos gelatinosos. Aqui, elas já sabem o horário em que começa a limpeza dos peixes capturados pelos pescadores
— Suzana Guimarães, coordenadora do Projeto Aruanã
— Com o tecido para a análise genética conseguimos identificar a origem desses animais. São indivíduos juvenis que vêm de diferentes populações natais e passam aqui essa fase da vida, se alimentando, crescendo, até atingirem a maturidade sexual e daí migrarem de volta para as áreas reprodutivas de onde saíram — explica a coordenadora de pesquisa do projeto, Estéfane Cardinot Reis.
O casco da tartaruga-verde, na fase adulta, pode alcançar 1,2 metro.
— Logo depois que nascem, os filhotes nadam para alto-mar. Nessa fase, crescem até em torno de 25 a 30 centímetros. A menor que pegamos na captura, com cerca de 36 centímetros, deve ter entre 5 e 10 anos — diz Suzana Guimarães, especialista em tartarugas marinhas e coordenadora do Projeto Aruanã, criado em 2013, mesmo ano em que nasceu a Resex-Mar Itaipu. — A que acompanhamos mais tempo foi a Neruda, que ganhou até nome, e monitoramos por nove anos. Ela foi vista pela primeira vez com cerca de 36 centímetros e, da última vez, em 2019, estava com 92 centímetros, já considerada na vida adulta.
Em junho do ano passado, as tartarugas-verdes deixaram a lista de animais ameaçados de extinção no Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A presença e a permanência de indivíduos vindos de tão longe é um forte indicativo de que o ambiente em Itaipu é acolhedor.
— A tartaruga-verde é herbívora, tem preferência por algas e grama marinha, que não tem aqui. Mas quando tem outro recurso disponível, ela se alimenta. Pode pode ser resto do peixe, podem ser organismos gelatinosos. Aqui, elas já sabem o horário em que começa a limpeza dos peixes capturados pelos pescadores — conta Suzana Guimarães.

Fonte: O Globo

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