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Crimes ambientais estão migrando cada vez mais para as periferias dos centros urbanos

20/06/2023

Crimes ambientais, que antes eram flagrados principalmente em florestas e áreas rurais, estão migrando cada vez mais para as periferias dos centros urbanos. É o que mostra uma pesquisa inédita da Rede de Observatórios de Segurança.
No Rio de Janeiro, segundo o estudo, a maioria desses crimes se concentrou na capital. Quando se fala em crimes ambientais, a diferença entre zonas rurais e cidades já praticamente não existe.
Só na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, entre 2017 e 2022, foram registrados quase 5 mil casos de crimes ambientais. Isso é sete vezes mais do que o município de Maricá, na região metropolitana, que ficou em segundo lugar no ranking do estado. A capital registrou um aumento de 52% de ocorrências nesse período.
Entre os crimes ambientais mais comuns, no Rio de Janeiro, está a extração ilegal de areia em áreas protegidas. É o caso de um flagrante feito pela polícia, na Baixada Fluminense, em abril deste ano. A areia, depois, era usada na construção de imóveis clandestinos, pela milícia. Duas escavadeiras foram apreendidas.
"Nós temos a presença de grupos milicianos que vêm cometendo vários tipos de ilícitos ambientais, inclusive relacionando esses crimes ambientais com projetos de habitação, de construção de casas, onde a milícia se apropria dessas relações e passa a fornecer esses recursos", , pontua o pesquisador Aiala Colares da Universidade Federal do Pará.
Então, caso a gente não possa apresentar uma resposta eficaz a partir do estado, cada vez mais a tendência é que esses grupos passem a ganhar mais espaço e se fortalecer politicamente e economicamente também", completa Aiala.
Outros estados também apresentaram índices graves de crimes socioambientais.
No Pará, os especialistas fizeram um alerta sobre a violência contra povos indígenas e quilombolas. Entre 2017 e 2022, mais de 400 pessoas desses grupos foram vítimas de crimes contra a vida, violações sexuais e patrimoniais.
Na Bahia, o destaque negativo foi a violência contra povos tradicionais. Foram mais de quatrocentos registros no mesmo período. Mais da metade das ocorrências era por ameaça.
Todos esses dados foram levantados pela Rede de Observatórios junto às secretarias estaduais de Segurança Pública, via lei de acesso à informação.
Apesar dos pedidos, apenas oito estados forneceram as informações solicitadas: Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os demais, não responderam às solicitações, segundo os pesquisadores e os que enviaram, nem sempre forneceram dados completos.
"Essa é a maior dificuldade que a gente vem encontrando: é justamente tratar os dados. Porque alguns estados acabam se negando a dividir esses dados conosco, acredito eu, que deve ser uma questão de temer o resultado pela análise que nós faremos em cima desses dados. E acabam dificultando o máximo possível. Nós tivemos todo o esforço de analisar a dinâmica de crimes ambientais pra poder dar uma resposta e apresentar um resultado que fosse positivo", destaca o pesquisador da UFPA.

Fonte: g1 / Jornal da Globo

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